Apêndice 5:

Nomes Astronômicos "Oficiais"



A astronomia é uma ciência muito antiga. Sua nomenclatura é, em geral, extraída da tradição e da história (especialmente da mitologia grega/romana ), de preferência a outras origens que hoje nos pareceriam mais sensatas. Os nomes dos objetos que povoam nosso sistema solar são particularmente assim. A International Astronomical Union (IAU) é oficialmente responsável por atribuir nomes aos corpos celestes, e sua atuação tem-se mostrado sensível à tradição astronômica.

Planetas

Os Planetas do nosso sistema solar recebem um nome assim que possível. E até que um novo planeta seja visto em torno de uma outra estrela, é improvável que surjam novos nomes. É difícil imaginar que convenção será usada quando isso acontecer.

Satélites

O Central Bureau for Astronomical Telegrams (CBAT) atribui um nome provisório aos satélites naturais (indicando o ano de sua descoberta), após satisfatória comprovação da existência de um novo objeto. Por exemplo, quando a Voyager 2 descobriu um grupo de novas luas, em seu encontro com Netuno em 1989, elas foram chamadas de 1989 N 1, 1989 N 2, etc. Quando a órbita do novo objeto é bastante precisa para permitir a previsão de futuras posições, o objeto recebe um numeral romano (e.g. Neptune VIII), ou ele pode receber um nome (e.g. Proteu). (O nome é sugerido pelo(s) descobridor(es), mas há um forte apelo no sentido de se manter a tradição. Portanto, se você quer dar nome a um planeta ou satélite, tire para fora seus livros de mitologia . Observe também que as luas de Urano constituem um caso especial - elas têm nomes literários, em vez de mitológicos.)

Asteróides

Os Asteróides inicialmente recebem números provisórios indicando o ano e mês de sua descoberta. A designação provisória é o ano, seguido de uma letra que indica em que metade do mês a descoberta ocorreu, seguida de uma letra que indica a seqüência dentro dessa metade de mês. Assim, 1982 DDB foi observado na última metade de fevereiro de 1982, e é o segundo asteróide descoberto nesse período. Quando suas órbitas são compreendidas suficientemente bem para que sua futura posição possa ser calculada com exatidão, eles recebem um número e nome permanentes. "243 Ida" é o 243º asteróide a ser numerado (não necessariamente o 243º ser descoberto). O nome é novamente escolhido pelo descobridor, mas há maior liberdade de escolha: os asteróides podem ser designados pelo nome de uma pessoa viva ou por qualquer outro nome (e.g. "2309 Sr. Spock").

Cometas

No passado, os Cometas recebiam um nome provisório: o ano, seguido de uma letra minúscula indicando a ordem de sua descoberta no ano (e.g. 1994a foi o primeiro cometa descoberto em 1994, 1994b foi o segundo, etc.). Atribuía-se também o nome logo nos primeiros estágios. Até três descobridores (de preferência independentes) podiam ter seus nomes ligados a um cometa. Algum tempo mais tarde, os cometas que haviam passado pelo periélio, num determinado ano, recebiam numerais romanos, indicando a ordem de passagem pelo periélio nesse período. As denominações com numerais romanos para 1993 e 1994 são dadas no "batch" das Minor Planet Circular de janeiro de 1995.

Observe que todo o sistema de denominação de cometas foi reformulado a partir do início de 1995. Os principais pontos do novo esquema são:

  1. Haverá maior harmonia entre o sistema de denominação provisória e o sistema de denominação de cometas inferiores. O primeiro cometa descoberto na primeira metade de janeiro de 1995 será denominado 1995 A1, o segundo 1995 A2, etc.
  2. Cometas de longa periodicidade e cometas periódicos de uma única aparição terão denominações provisórias -- não haverá equivalente para a denominação em algarismos romanos
  3. depois de redescoberto num segundo aparecimento ou após a passagem pelo afélio, os cometas periódicos receberão um número seqüencial. Por exemplo: P/Halley será 1P.
  4. redescobertas rotineiras de cometas periódicos não terão denominação provisória.
  5. a natureza da órbita do cometa será indicada por um prefixo: P/ para cometas periódicos, C/ para cometas de períodos longos, D/ para cometas extintos (e.g., 1993e) e X/ para cometas incertos. Além disso, A/ será usado para indicar que o objeto é um planeta inferior.
  6. Os cometas continuarão a ser nomeados em termos gerais por seu descobridores, que deverão primar pela correção e simplicidade.
O atual esquema terá efeito retroativo, de modo que os velhos cometas receberão denominações dentro do novo modelo. Listas de referência cruzada entre o velho e o novo esquema serão colocadas à disposição dos interessados (e.g. através da página inicial ("home page") WWW (CBA/MPC) , que deverá ser publicada em dezembro, ou na próxima edição do Catálogo de órbitas cometárias). A lista inicial dos números dos cometas periódicos será publicada no "batch" das MPCs.

Alguns exemplos da nova nomenclatura para cometas:

  C/1995 A1 (Levy)
  C/1995 G7-A (Machholz) 	Fragmento A de um cometa Machholz dividido
  P/1995 M3 (Shoemaker-Scotti) 	Novo cometa periódico
  200P 				Observação de rotina de um cometa periódico
				na segunda passagem
Aqui vai uma cópia da resolução oficial da IAU.

Acidentes topográficos

As características dos acidentes topográficos dos planetas, satélites e asteróides seguem as convenções complicadas estabelecidas pelo Comitê de Nomenclatura da IAU. Entre estas encontra-se a restrição ao uso de nomes de pessoas vivas, figuras políticas ou religiosas dos últimos 200 anos, para designar as formações de superfície dos corpos celestes. Um bom exemplo disso pode ser encontrado no *Planetary Mapping*, editado por Greeley & Batson, Cambridge U.Press, 1990. (É uma "mão na roda" ter o Mapa Planetário FAQ de Phil Stooke, em meu disco rígido!)

As origens dos nomes das formações de Vênus podem ser encontradas neste arquivo de texto.

[Adaptado de "mala de usuários", de Hill Higgres e Gareth Willims; os erros, se houver, são meus. ]

Dicionário de Nomenclatura Planetária

Este sítio (site) contém informações detalhadas sobre todos o nomes de acidentes topográficos e marcas de albedo em planetas e satélites (e em alguns sistemas de anéis planetários e de falhas em anéis) atribuídos e aprovados pela International Astronomical Union (IAU).
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Bill Arnett; última atualização; 26 de julho de 1995