Escolher uma carreira de ciência

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Escolher um curso é uma das decisões mais importantes e decisivas da vida. Talvez o casamento seja a única decisão mais importante do que a escolha de um curso de licenciatura. Leve tempo a preparar a sua decisão sobre o curso. Antes de decidir, faça um teste a si próprio sobre o que gosta de fazer na vida, quais são os seus valores, interesses e capacidades. Lembre-se das disciplinas que mais gostou e aquelas que mais e menos gostou. Lembre-se das coisas que fez na vida que lhe tivessem dado experiências agradáveis ou do tipo de pessoas que contactou e mais admira. Escreva isso tudo num papel e depois faça uma lista com as cinco profissões que mais lhe agradariam - não fique preso a uma única opção. Mas, antes de o fazer, informe-se bem! O facto de desconhecer o que faz, por exemplo, um químico, não quer dizer que não goste ou venha a gostar de Química. Fale com o maior número possível de pessoas e pergunte-lhes como é a sua profissão. 

Considere seriamente o mercado de trabalho; embora possa gostar muito de Astronomia, talvez não o entusiasme saber que existem poucos empregos para astrónomos no nosso país (e mesmo no estrangeiro). Na escolha do seu curso deve ponderar, por um lado, o seu interesse e vocação, e, por outro, o que pretende fazer quando acabar os estudos: quais são as saídas profissionais; se quer trabalhar numa actividade de carácter científico, ou tecnológico, ou relacionada com a gestão, ou ainda de ensino. Siga, de preferência, o caminho que lhe abra mais alternativas. 

Aproveite os últimos anos do ensino secundário para estabelecer contactos com profissionais de áreas que o possam interessar. Estes contactos são essenciais para o ajudar a tomar decisões acertadas quanto à sua carreira e, quem sabe, mais tarde arranjar emprego. Muitos empregos conseguem-se através de contactos com as pessoas certas. Aproveite ao máximo os professores que o podem ajudar. Tome a iniciativa e fale com eles sobre as carreiras profissionais que lhe interessam.

Ciência? Sim, obrigado!

Os jovens procuram cursos de ciência ou engenharia por várias razões. Alguns têm objectivos específicos, como descobrir novas leis da Natureza, inventar a cura de certas doenças, combater a fome ou reduzir a poluição; outros têm uma visão mais voltada para as aplicações, por exemplo o desenvolvimento de novos materiais ou a construção de novos motores; muitos pretendem simplesmente trabalhar numa área onde possam aplicar e melhorar as suas capacidades técnicas.

Uma licenciatura de carácter científico é, em geral, exigente: uma boa destreza na manipulação de ideias e modelos, e uma boa preparação em Matemática e em Física ou Química, são fundamentais. Alguns cursos exigem também uma boa capacidade de trabalho experimental e a manipulação de equipamento laboratorial sofisticado. Por isso avalie-se a si próprio e tente determinar se o seu perfil se ajusta ao tipo de trabalho que pretende. Perseverança, curiosidade, objectividade, imaginação, criatividade são características que os estudantes de ciências devem ter.

Como resultado do esbatimento das fronteiras que dividiam as várias disciplinas, alguma da investigação mais interessante faz-se hoje em áreas de sobreposição de duas ou várias disciplinas. Tente por isso complementar o curso que escolher com outra formação. Aproveite o tempo disponível para alargar o seu leque de conhecimentos ou experiências: estudar uma língua estrangeira, aprender informática ou economia, viajar, trabalhar em part-time. Tudo isto lhe pode ser útil para adquirir um perfil único e simultaneamente promover o amadurecimento. Não se deixe ficar apenas agarrado ao seu curso. Mais tarde será esta formação, experiência, ou pelo menos conhecimento, de áreas fora do seu curso que o poderá distinguir de outros candidatos a um emprego.

Escolha da Escola

Infelizmente não existe em Portugal uma classificação das escolas de ensino superior, pelo que a sua qualidade é uma incógnita que se revela, por vezes, com um sabor amargo. Recomenda-se o máximo cuidado na sua escolha.

Depois de escolher o curso, e de preferência o respectivo ramo de especialização, procure obter informações o mais detalhadas possível sobre as instituições de ensino superior onde ele é ministrado. Comece a realizar a sua escolha pelo menos um ano antes do ingresso. Seja meticuloso na sua escolha, pois dela depende o seu futuro. Se a sua licenciatura for feita numa escola famosa, as suas possibilidades de emprego são maiores. Informe-se da qualidade do corpo docente e da investigação por ele realizada na sua área. A qualidade do corpo docente é uma medida do valor da escola.

Veja também as condições de estudo, o ambiente em geral, e as saídas profissionais dos alunos finalistas. Verifique se existe um gabinete de apoio à procura do primeiro emprego. Averigue a qualidade das bibliotecas, dos laboratórios e os materiais de apoio às aulas disponíveis. Verifique ainda as possibilidades de pós-graduação. Não se deixe levar pelos nomes sonantes - veja com os seus olhos e tire as suas próprias conclusões. Por vezes um belo edifício pode esconder uma biblioteca pobre, ou um corpo docente de baixa qualidade. Pode ficar a saber mais sobre uma escola visitando-a pessoalmente do que lendo atraentes prospectos multicolores. Siga o seu instinto: se o ambiente não lhe agrada, não se inscreva.

Considere seriamente a possibilidade de estudar no estrangeiro. Embora a língua seja sempre uma barreira a vencer, não se deixe levar por dificuldades desse tipo. Além de ser culturalmente mais enriquecedor, por vezes é mais fácil ter acesso em certos cursos superiores no estrangeiro do que em Portugal. Por outro lado, o mercado de trabalho olha mais à qualidade da escola onde tirou o curso do que a outros factores. A maioria dos cursos superiores oficiais nos países do espaço europeu de Shengen (Espanha, Portugal, Holanda, etc.) tem homologação. Se quiser saber informações detalhadas sobre mais de 26000 instituições de ensino superior em todo o mundo, consulte o livro The World of Learning 2000, Gale Research, 2000.

O Emprego

Duas competências básicas são necessárias a uma pessoa na área de ciências: capacidade de lidar com equipamento técnico complexo e capacidade de abstracção e resolução de problemas com base em modelos matemáticos. Para obter emprego, muitas vezes usam-se outras características da personalidade para distinguir os candidatos: experiência profissional; capacidade de liderança, sociabilidade, poder de comunicação.

Por vezes o trabalho não tem nada a ver com os aspectos técnicos adquiridos na formação universitária. Trata-se de desempenhar cargos onde as qualidades mais usadas são a capacidade de conceptualizar e resolver problemas novos, de comunicação e de escrita técnica (caracterizada por objectividade e clareza). Uma vez que a ênfase dos cursos científicos costuma ser na abstração e no formalismo, é vital que os alunos aprendam a adquirir qualidades de sociabilidade e comunicação cada vez mais necessárias para a obtenção de um emprego.

Existem quatro grandes domínios de trabalho nas áreas científicas: investigação (requer fazer pela descoberta e pela abstracção); ensino (requer gosto de ensinar, paciência e muito entusiasmo); tecnológica (requer gosto de trabalhar com equipamento laboratorial e computacional) e gestão/comercial (requer capacidade de gestão e de organização, domínio de escrita, dedicação, disponibilidade, gosto de trabalho em equipa).

Embora uma carreira em ciência ou engenharia possa ser muito útil e compensadora, quer do ponto de vista de realização pessoal, quer do ponto de vista financeiro, ela não representa uma garantia de emprego. A fim de aumentar as possibilidades de emprego não se especialize apenas na área da sua licenciatura. Para o mercado de trabalho, é cada vez mais importante obter uma segunda competência além da formação de base, nomeadamente informática, mas também gestão. Além disso, uma boa capacidade de trabalho em equipa e o domínio da língua inglesa são condições muito favoráveis. Muitos julgam que uma licenciatura, e sobretudo um doutoramento, em áreas "duras" como a Física ou a Matemática é sinónimo de trabalhar na investigação científica num laboratório ou Universidade. Embora em certa medida tal seja verdade, a tendência actual vai no sentido destes profissionais desempenharem cargos de investigação em empresas privadas de alta tecnologia ou noutras actividades que não estão directamente relacionados com a sua formação, como gestão, serviços financeiros ou consultadoria, sendo que o sector privado emprega cada vez mais pessoas. Os cientistas estão assim a começar a usar as suas capacidades em áreas não tradicionais, onde as suas características únicas são apreciadas.

A Pós-graduação

Uma pós-graduação implica o estudo em pormenor de um certo tema específico. Trata-se de um estudo exigente, mas indispensável se pretende dedicar-se à investigação, ensinar no ensino superior, ou, embora em menor grau, obter um cargo directivo numa empresa.

Seguir uma pós-graduação pode ser muito aliciante e enriquecedor, mas requer trabalho árduo e muita força de vontade. Perseverança e gosto são atributos essenciais. Embora existam bolsas de estudo que ajudam os estudantes a "sobreviver", a entrada no mercado de trabalho fica adiada por 2, 3 ou até mesmo 10 anos! Não é fácil tomar a decisão de fazer uma pós-graduação, mas, se adora estudar, se se entusiasma com problemas difíceis, se gosta de descobrir factos e explorar ideias novas, então é provável que a pós-graduação o conduza a uma carreira aliciante.

A melhor altura para fazer uma pós-graduação é imediatamente a seguir à licenciatura. Pode estar farto de exames e sem dinheiro, mas, uma vez no mercado de trabalho, é-lhe mais difícil regressar à universidade, pois muito do seu espírito de estudante morreu. Por outro lado, fazer uma pós-graduação é muito difícil de compatibilizar com um trabalho regular. Em particular, o doutoramento, que exige uma exclusividade e entrega total para ser concretizado no prazo previsto.

Existem basicamente dois tipos de pós-graduação: mestrado e doutoramento. Um curso de mestrado está dividido em duas partes: uma curricular, com aulas teóricas e/ou práticas e outra parte que consiste em escrever uma dissertação (expondo investigação não necessariamente original) sobre um tema específico. Dura normalmente dois anos. Um doutoramento tem um âmbito mais arrojado, pois consiste em estudar aprofundadamente um tema numa abordagem original. O trabalho realizado, durante os 3 ou 4 anos de duração média de um doutoramento, é exposto numa tese a defender perante um júri de especialistas.

Ao ponderar sobre uma carreira na investigação científica, saiba que, ao contrário de algumas concepções estereotipadas, os cientistas não são todos génios superdotados, nem são pessoas "anormais" que trabalham sozinhos resolvendo qualquer problema de um dia para o outro, sempre com ideias brilhantes. Um cientista é um especialista que ocupa grande parte do tempo com tarefas, que, apesar de interessantes, são de rotina. Raras vezes logra fazer uma grande descoberta...

Para obter mais informações sobre alguns dos cursos aqui tratados e outros, pode contactar os seguintes endereços:

Para conhecer mais pormenores sobre os cursos leccionados nas instituições de ensino superior portuguesas pode consultar a página da web do Ministério da Educação (http://www.min-edu.pt), ou consultar um livro actualizado, por exemplo "Orientar para o Ensino Superior" da Porto Editora.

Existe ainda disponível na Internet (http://www.bls.gov/emp/) um excelente estudo, realizado para o mercado norte–Americano, com uma análise detalhada das perspectivas profissionais de todas as actividades, incluindo o salário médio, a evolução do mercado de trabalho, o número de trabalhadores, etc.



1. Cursos na área de Ciências

MATEMÁTICA

A Matemática é o cerne de quase todas as matérias científico-tecnológicas. Considerada uma área prestigiada e indispensável em quase todas as ciências e engenharias, a Matemática é também uma das mais exigentes e abstractas. Mais do que em qualquer outro, este é um curso para o qual é necessário possuir uma vocação.

As múltiplas aplicações da Matemática na economia têm criado uma procura cada vez maior de matemáticos para áreas como a previsão estatística e a modelização. O uso de métodos matemáticos sofisticados é cada vez mais corrente nos diferentes processos industriais desde a planificação à optimização de produção. As crescentes potencialidades dos computadores tornaram-nos uma ferramenta cada vez mais usada para modelizar e testar fenómenos complexos como na meteorologia e na aerodinâmica.

Descrição do curso e áreas de especialização

O acesso não é difícil, excepto em determinadas escolas. Muitos alunos optam por um curso de Matemática como solução de recurso. Esta prática é porém desaconselhada, uma vez que, sendo um curso com elevado nível de exigência, as probabilidades de reprovação são nesse caso elevadas. Existem cursos de ciências e engenharia também com notas de admissão baixas mas menos exigentes. Existem em geral três ramos de especialização: a via científica, a via aplicada e a via ensino. Na primeira, a tónica incide nas matérias mais abstractas onde é comum a demonstração de teoremas. Na segunda, a ênfase é mais na análise numérica e na aprendizagem de disciplinas relacionadas com a aplicação dos métodos matemáticos (informática, mecânica, electromagnetismo, estatística). Finalmente, na via de ensino a formação é orientada para leccionar a matemática dos ensinos básico e secundário, sendo também ministradas disciplinas de Pedagogia e Psicologia. Em geral, no último ano realiza-se um trabalho de estágio.

Emprego

Os sectores principais de colocação de matemáticos são: ensino; bancos, seguros e gabinetes técnicos; informática; e investigação científica. A Matemática ainda é das áreas onde é mais fácil arranjar uma colocação no ensino secundário. Contudo, ao nível da docência universitária, o grau de exigência os candidatos é muito elevado. O sector privado emprega também uma boa parte dos licenciados em Matemática com boa formação em informática ou investigação operacional. A crescente complexidade da tecnologia e das empresas faz surgir problemas de optimização e gestão de informação, que requerem pessoas com conhecimentos avançados de Matemática.

As aplicações informáticas exigem conhecimentos de Matemática cada vez mais avançados, e a dupla competência Matemática/Informática oferece acesso a numerosos empregos. As áreas de economia, finanças e seguros recorrem também a métodos matemáticos de modelização e previsão, sendo igualmente muito apreciada uma dupla competência em Matemática/Economia.


FÍSICA e Engenharia FÍSICA

A Física estuda as leis que governam a matéria e a energia. É uma disciplina nuclear de todas as ciências e engenharias, pelo que existem numerosas especializações.

A Física não se restringe ao estudo do infinitamente pequeno (quarks, matéria nuclear ou física atómica) e do infinitamente grande (cosmos), mas inclui também áreas aplicadas presentes em quase todas as actividades industriais como a óptica, acústica, electricidade, dinâmica dos fluidos, ciência dos materiais, termodinâmica, etc. A formação mais profunda e abrangente dos físicos representa uma vantagem muito útil sobre as engenharias cujos cursos são quase sempre mais especializados. É, por isso, comum encontrar físicos na construção de veículos de alta tecnologia, de equipamentos de precisão, electrónicos e informáticos.

Descrição do curso e áreas de especialização

O acesso na maioria das universidades é relativamente fácil. Mas é um curso com alguma dificuldade onde a matemática é empregue abundantemente. Entrar neste sem vocação é desaconselhado.

Existem três ramos básicos de especialização: o ensino, a física fundamental e a física aplicada ou industrial. Nos primeiros anos todas elas têm em comum disciplinas de matemática, informática, análise numérica, mecânica dos sólidos e dos fluídos, electromagnetismo, física experimental, termodinâmica, física quântica e óptica. Existem actualmente cursos especializados na via de ensino desde o primeiro ano onde a matéria é leccionada de uma forma menos aprofundada.

Dentro da física fundamental existem várias especializações: astrofísica, biofísica, física das partículas, física dos plasmas, matéria condensada, física nuclear, entre outras. Na física aplicada incluem-se por exemplo a instrumentação, a óptica, a electrónica. Áreas como meteorologia, geofísica ou astronomia necessitam de uma forte formação de Física.

Emprego

Não existem muitas oportunidades de emprego no nosso país para os físicos. No sector público (laboratórios e universidades) é cada vez mais difícil encontrar emprego, mas o sector privado admite cada vez mais físicos. Com efeito, a indústria de ponta como a informática, as telecomunicações e electrónica e até os bancos, estão a aproveitar algumas potencialidades únicas dos licenciados ou doutorados em física: capacidade de construir e trabalhar com modelos matemáticos complexos, capacidade de resolver de problemas novos, conhecimentos de material técnico sofisticado, exercício da curiosidade e rigor.

O sector público emprega sobretudo no ensino básico e secundário. Existem também algumas vagas (poucas) no ensino superior e na investigação em laboratórios do estado. As maiores saídas profissionais no sector privado são a indústria de tecnologia de ponta e os serviços. Se optar pela via aplicada, é vantajoso adquirir uma sólida formação em electrónica, informática ou mesmo gestão.


QUÍMICA e Engenharia QUÍMICA

Os químicos investigam a natureza das substâncias, as suas transformações (reacções) e as possíveis aplicações. Embora alguns químicos estudem as propriedades da matéria a um nível teórico, pode dizer-se que a Química é uma ciência virada essencialmente para as aplicações. Toda a sua acção é voltada, por um lado, para a extracção e posterior tratamento de certas substâncias a partir de materiais naturais e, por outro, para a obtenção de novos materiais. Os avanços da Química melhoraram consideravelmente a nossa vida quotidiana, como por exemplo os plásticos, tintas, adesivos, medicamentos, etc. Nos próximos anos a Química continuará a ser uma disciplina fundamental para o funcionamento e bem-estar da sociedade.

A Química tem uma aplicação muito directa nas indústrias agro-alimentares, farmacêuticas, de transformação (vidro e plástico), bem como na concepção de novos materiais.

Descrição do curso e áreas de especialização

Este curso tem uma base de Matemática, Física e Química geral. A Química é sobretudo uma disciplina laboratorial, pelo que ao longo do curso se exige a realização de numerosos trabalhos de laboratório.

Existem várias áreas de especialização, incluindo:

Emprego

É uma área onde pode não ser muito fácil encontrar emprego, especialmente fora dos grandes centros industriais ou urbanos. A maioria trabalha na indústria, em actividades de controlo de processos de produção ou de controlo de qualidade. Existem algumas saídas a nível do ensino e investigação, sobretudo na área da química orgânica e em especial na bioquímica. A nível internacional, a indústria farmacêutica emprega grande número de químicos para desenvolvimento de novos fármacos.

BIOLOGIA e BIOTECNOLOGIA

A Biologia estuda os processos da vida aos níveis molecular, celular e orgânico. Estuda ainda a relação entre os seres vivos e os seus ambientes. Para muitos a Biologia é uma paixão que nasce em tenra idade, sendo uma área relativamente concorrida no acesso ao ensino superior. Se na primeira metade deste século assistimos ao triunfo da Física, pode dizer-se que a segunda metade foi marcada pelos avanços na Biologia e na Medicina. A Biologia e a Biotecnologia são hoje as grandes fronteiras da ciência. Compreender o código genético, o sistema imunológico, a bioquímica celular, o funcionamento do cérebro, são os desafios mais importantes da biologia. Esta é uma ciência sobretudo experimental, pelo que se exige uma boa capacidade de trabalho laboratorial e de campo.

Curso e áreas de especialização

Para entrar no mercado de trabalho é necessário, no mínimo, obter uma licenciatura que pode ser de 4 ou 5 anos. As notas de entrada no curso são médias e médias/altas. Algumas especializações são:

Emprego

As saídas profissionais no nosso país são ainda algo limitadas, mas existem alternativas atraentes como o jornalismo, uma vez que a biologia e o ambiente são temas que suscitam grande interesse no público. Grande parte dos recém-licenciados volta-se para o ensino nas escolas do ensino básico e secundário. Existem algumas vagas na investigação, mas aqui a competição é muito grande. A industria farmacêutica, ligada à área da biotecnologia, é uma boa saída profissional para quem quer trabalhar no estrangeiro. Os sectores ligados às actividades agro-alimentares e pescas também empregam alguns biólogos. Aqui é importante possuir uma segunda competência, como informática, comercial ou gestão.

GEOLOGIA

A Geologia estuda os fenómenos relacionados com o solo terrestre e todas as estruturas do interior da Terra e outros planetas. Estuda as propriedades, evolução e formação do nosso e de outros planetas. É uma ciência antiga que se encontra hoje em dia muito ligada à Física e à Química. É essencialmente uma ciência experimental, onde a investigação se desenrola por meio de explorações ao ar livre.

Curso e áreas de especialização

O nível de dificuldade de entrada neste curso, embora dependa da escola, é, em geral, médio, médio/baixo. O curso de Geologia tem uma duração de 4 anos com especialização, entre outras, nas seguintes áreas:

·        Geologia.

·        Geologia Aplicada e do Ambiente.

·        Ensino da Geologia.

Emprego

Embora os profissionais das Ciências da Terra participem em diversas áreas da engenharia, como exploração mineira, exploração petrolífera, construção civil e de grandes obras públicas, no nosso país as oportunidades de emprego são algo limitadas.


2. Cursos na área das Engenharias

Engenharia CIVIL

Os engenheiros civis desenham e supervisionam a construção de estradas, aeroportos, túneis, pontes, barragens e habitações. Participam ainda na concepção das infra-estruturas de água e saneamento. É o ramo mais antigo da engenharia e envolve uma gama tão vasta de aplicações que obriga a uma especialização: por exemplo, estruturas, hidráulica, transportes, etc.

Todos os engenheiros civis necessitam de saber planear e conceber um projecto de construção: dimensionar as estruturas, escolher os materiais mais adequados para suportar o peso, a água e o fogo. Deve ser dada uma atenção especial às características do terreno onde assenta a construção e à sua resistência a terramotos ou furacões. Deve-se atender não só à segurança com também à paisagística.

Curso e áreas de especialização

É um curso disponível em muitas universidades e politécnicos. O nível de dificuldade de entrada é médio, médio/baixo. Os primeiros anos do curso incluem uma formação de Matemática, Física e disciplinas-base de engenharia. Os últimos dois ou três anos podem obter uma especialização em várias áreas, entre elas:

Emprego

Um engenheiro civil necessita de uma boa capacidade analítica bem como de comunicação e coordenação, pois muito do trabalho é feito em equipa. Por vezes, alguns projectos públicos requerem a preparação de projectos complexos. Não é raro um engenheiro civil assumir um cargo administrativo ou de gestão. Outros tornam-se consultores independentes. As perspectivas de emprego para os engenheiros civis vão manter-se boas. É uma actividade com muita oferta de emprego, quer por parte do sector público quer do sector privado.

Engenharia MECÂNICA

A Engenharia Mecânica é uma área de carácter profundamente tecnológico e inseparável de disciplinas como a electrónica, a informática, a óptica e a termodinâmica. As suas aplicações têm-se expandido imenso graças aos progressos na Física, na Informática e na simulação. Quase todos os sectores industriais recorrem à Engenharia Mecânica onde se exige uma elevada qualificação e adaptação.

Os engenheiros mecânicos são sobretudo responsáveis pelo desenho e desenvolvimento de equipamento para a produção e transformação de energia; turbinas, motores de combustão interna, motores eléctricos, equipamentos de ar condicionado, etc. Os engenheiros mecânicos podem também trabalhar na manutenção de operações de produção ou no sector de vendas de tecnologia.

Os estudos nesta área orientam-se cada vez mais no sentido da investigação e desenvolvimento; por um lado, desenvolver a capacidade de gerir equipas de produção e, por outro, proporcionar um amplo know-how tecnológico.

Curso e áreas de especialização

Emprego

É um curso cujos finalistas têm facilidade em encontrar emprego. Dada a crescente complexificação dos processos industriais, é de esperar uma procura crescente de licenciados neste sector. A experiência profissional e os estágios realizados são factores muito importantes na obtenção do emprego. Os licenciados neste curso trabalham sobretudo em indústrias do sector privado onde exercem essencialmente funções técnicas. Assumem também funções de planeamento, compra e venda, controlo de qualidade, informática industrial e serviços pós-venda.


Engenharia ELECTROTÉCNICA

Os engenheiros electrotécnicos desenham, desenvolvem e testam equipamento, componentes e circuitos eléctricos. É actualmente uma das áreas que oferece mais ofertas de emprego, sob a condição dos candidatos mostrarem constante adaptação a um terreno em mutação acelerada. Juntamente com a informática, esta engenharia é uma das áreas chave nas indústrias modernas. Tradicionalmente recrutados para as áreas de construção de equipamento eléctrico e telecomunicações, os engenheiros electrotécnicos têm vindo a penetrar em todos os sectores de actividade industrial e serviços, incluindo as actividades ligadas às radiocomunicações e à informática. É uma das áreas de engenharia onde actualmente se diplomam mais pessoas.

Curso e áreas de especialização

É um curso com grande oferta e uma dificuldade de entrada média. Nos primeiros anos os alunos recebem uma formação em Matemática, Física e Informática, incluindo circuitos eléctricos analógicos e digitais.

Existem as seguintes áreas de especialização:

Em geral, o último ano é composto de um estágio num laboratório ou numa empresa onde se desenvolve um projecto.

Emprego

Existem inúmeras saídas profissionais. Fabricação de componentes eléctricos, concepção de redes eléctricas, automatização de linhas de produção, e informática. Grande parte da função de engenheiro electrónico é conceber, testar e manter as partes electrónicas de sistemas automatizados numa linha de produção. Muitos trabalham também no sector dos serviços (bancos e seguros), onde desenvolvem tarefas de apoio técnico e por vezes também de gestão. Uma dupla competência em gestão ou economia é muito vantajosa para encontrar emprego. A oferta de emprego nesta engenharia irá manter-se elevada nos próximos anos, especialmente nas áreas ligadas às comunicações e à informática.

Engenharia INFORMÁTICA

A Engenharia Informática é uma área nova, mas que se difundiu rapidamente por quase todos os domínios, desde a gestão, ao sector bancário, indústria, investigação, jornalismo, etc. Trata-se de um curso já muito comum nas universidades portuguesas. Esta área de actividade divide-se em dois sectores distintos: programadores e analistas. Os primeiros escrevem programas ou software (lista de instruções) que comunicam aos computadores como realizar uma determinada tarefa. Os segundos são responsáveis pelo planeamento, manutenção, gestão e actualização do equipamento informático e do software disponível numa dada empresa ou laboratório.

Um programador deve possuir um pensamento lógico e analítico. Paciência, atenção aos pormenores, bem como a capacidade de trabalhar com conceitos abstractos são requisitos importantes (pode levar semanas ou meses a encontrar um erro num programa com milhares de linhas de código!). Um analista deve ainda ter conhecimentos de sistemas operativos, redes e protocolos de comunicação, programação, e ainda instalação de software e hardware.

Curso e áreas de especialização

Os cursos de informática são relativamente novos nas universidades. A dificuldade de entrada é, em geral, média e a qualidade é muito variável. Os primeiros anos tem uma base comum de Matemática, sistemas operativos e programação.

Áreas de especialização:

Emprego

Como se trata de uma área nova e em rápida expansão, é relativamente fácil arranjar emprego com um curso de informática. Em particular, a área de analistas de informática é uma das que irá registar o maior crescimento na oferta de emprego nos próximos anos.

Nem sempre é exigida uma licenciatura para trabalhar nesta área. A grande procura de pessoas com competência e habilidade para trabalhar com computadores leva certas empresas a admitir candidatos com apenas o 12º ano, ou mesmo menos. Possuir experiência, embora seja importante, não é aqui tão determinante.

Dado ser uma actividade em rápida evolução, muitos programadores e analistas trabalham em trabalhos temporários, part-time ou à hora. É exigido um esforço de constante actualização. Muitos programadores trabalham para empresas de serviços que lidam com processamento de dados como bancos, seguros e instituições governamentais. Cerca de dois terços dos empregos na área de informática estão ligados apenas a conhecimentos na óptica do utilizador.

Consoante a área em que a empresa empregadora trabalha, é vantajoso o candidato possuir bons conhecimentos de outras áreas, como contabilidade ou engenharia. Existem vários perfis desejados pelas empresas: conhecimentos de bases de dados, gestão de redes de computadores, programação numa ou várias linguagens especificas, desenho e administração de páginas na Internet, sistemas operativos ou plataformas específicas. É também comum as empresas recrutarem licenciados nesta área para trabalharem como responsáveis e consultores de todo o parque informático, executando tarefas de instalação e manutenção de software e hardware, e ajudando os utilizadores.


3. Cursos na área da Saúde

MEDICINA

A Medicina é talvez a mais bem conhecida das actividades profissionais relacionadas com a ciência, sendo no nosso país dos cursos mais prestigiados e cobiçados. Apesar de ser uma profissão da qual se obtém uma grande realização pessoal, ela é também muito exigente, de alta responsabilidade, e sujeita a um grande stress. Além de uma boa capacidade de estudo, os candidatos devem possuir sentido de responsabilidade e um grande interesse em ajudar os outros.

Curso e áreas de especialização

A Medicina é dos curso de maior dificuldade de acesso no nosso país. As notas mínimas de entrada nas faculdades existentes no país raramente descem abaixo dos 17 ou 18 valores. A formação em medicina é longa e exigente. Nos primeiros anos é leccionada uma formação geral, ao que se segue uma especialização. Após um estágio num hospital, realizado nos últimos anos, fica-se com um diploma que permite exercer Clínica Geral. Para obter uma especialização são necessários mais dois ou três anos de estudos teóricos e práticos. Para exercer algumas actividades mais específicas, como cirurgia, é necessário obter ainda uma formação suplementar de mais dois ou três anos.

Emprego

As perspectivas de emprego são relativamente boas. Porém é uma actividade que exige um grande esforço de actualização, pois os conhecimentos científicos e os equipamentos técnicos nesta área evoluem muito rapidamente. Certas especialidades são muito procuradas, sendo viável estabelecer um consultório privado. Além dos hospitais e centros de saúde, muitos médicos trabalham em clínicas privadas ou possuem o seu próprio consultório. Em geral é mais difícil obter colocação nos grandes centros urbanos do litoral do que no interior do país.

MEDICINA DENTÁRIA

Os dentistas diagnosticam, tratam e fazem a prevenção de problemas dentários e dos tecidos envolventes dos dentes. Um dentista deve possuir uma boa destreza manual e uma excelente memória visual. Além de tratarem problemas dentários, podem também efectuar próteses dentárias.

Curso e áreas de especialização

>O curso tem a duração de seis anos, sendo a dificuldade de entrada no curso relativamente elevada. Os primeiros anos do curso são algo semelhantes ao curso de Medicina, após o que existe a possibilidade de enveredar por uma especialização.

Emprego

Muitos licenciados estabelecem-se por conta própria, ou trabalham em clínicas privadas. As perspectivas de emprego já foram melhores, embora não seja muito difícil encontrar emprego.

ENFERMAGEM e FISIOTERAPIA

A enfermagem é uma área bem conhecida. Os enfermeiros executam todo o trabalho de assistência aos doentes ou a quem procura cuidados de saúde. Acompanham e administram o tratamento indicado pelos médicos. Ajudam na recuperação ou manutenção do estado de saúde dos indivíduos. Os fisioterapeutas ajudam na recuperação de pacientes com problemas de coordenação ou movimentação dos músculos e das articulações.

Curso e áreas de especialização

Ambos os cursos têm geralmente uma duração de 3 anos, ao que se segue um estágio profissional num hospital ou clínica. A dificuldade de entrada nestes cursos é média. O curso de Enfermagem é ministrado em várias escolas superiores de enfermagem dispersas pelo país, e o curso de fisioterapia nas escolas superiores de tecnologia da saúde. Existem várias especializações, em geral obtidas durante o estágio ou então através da aprendizagem no próprio trabalho.

Emprego

O principal empregador é o Estado. Prevê-se que continuar a haver uma boa procura de enfermeiros e fisioterapeutas. A enfermagem é uma profissão para a qual é necessário possuir vocação: exige concentração, simpatia, um forte de desejo de ajudar e capacidade de agir com rapidez e responsabilidade. O trabalho do dia-a-dia pode ser exigente e sujeito a um grande stress.

FARMÁCIA

Os farmacêuticos são responsáveis pela venda e controlo dos medicamentos quer em farmácias quer em hospitais. Por vezes são eles próprios a preparar a medicamentação. Além disso, aconselham o público em geral sobre os medicamentos e os seus efeitos secundários.

Curso e áreas de especialização

Existem três faculdades de farmácia públicas (em Lisboa, Porto e Coimbra) e duas privadas que leccionam o curso de Ciências Farmacêuticas. A dificuldade de entrada no curso é elevada (muitos candidatos são pessoas que não conseguiram entrar no curso de Medicina). O curso tem a duração de  anos e fornece uma formação de base em química, bioquímica e biologia, seguindo-se depois disciplinas mais específicas.

Emprego

Grande número de farmacêuticos trabalham numa farmácia, da qual em muitos casos são proprietários. Outros trabalham em hospitais, laboratórios ou empresas farmacêuticas. Um farmacêutico deve ser ordenado, rigoroso e possuir uma boa capacidade de comunicação.
Nota final
Além destes cursos existem muitos outros que não abordámos aqui. São exemplos: Engenharia de Materiais, Engenharia de Produção, Engenharia Agrária, Medicina Veterinária, Engenharia do Ambiente, Engenharia de Minas, Engenharia Florestal, Engenharia Industrial, etc. Contamos numa próxima edição deste roteiro incluir estes e outros cursos.