Apêndice III: Livros para gostar de ciência

Os livros têm sido, e continuarão a ser, um dos principais meios de preservação e transmissão de informação. Através dos livros pode aceder-se à quase totalidade do saber acumulado pela humanidade. Ao contrário das revistas e dos jornais, onde a informação, apesar de actualizada, tem quase sempre um carácter superficial e efémero, os livros são escritos com o objectivo de abordar um tema de uma forma mais completa, aprofundada e sistemática. Um livro é escrito para permanecer válido por um período de tempo o mais longo possível. A quem esteja interessado num determinado assunto cientifico, recomenda-se vivamente a leitura de bons livros sobre o assunto. Esta leitura pode ser determinante para obter uma noção mais real do tema (que se sabe e o que não se sabe), conhecer um pouco da história, das interrogações, etc. Alguns livros podem ainda servir para despertar vocações, como por exemplo “Um Pouco Mais de Azul”, de Hubert Reeves, publicado pela Gradiva na prestigiada colecção "Ciência Aberta", que apresenta a história do Universo de uma forma apaixonada e apaixonante. A lista de livros que aqui se apresenta é composta por duas secções. Na primeira secção apresentamos uma lista de livros para adultos e jovens quase adultos (com mais de 16 anos) sobre várias áreas das ciências. A segunda é composta por uma lista de livros recomendada para os mais novos (dos 6 aos 15 anos). Todos os livros são comentados sucintamente.

Para estar actualizado sobre as novidades editoriais, convém ver as páginas da Internet de algumas das editoras portuguesas; por exemplo:

Gradiva http://www.gradiva.pt/  
Presença http://www.editpresenca.pt/ 
Relógio d’Água http://www.relogiodagua.pt/ 
Verbo http://www.editorialverbo.pt/ 

Livros de divulgação científica

Têm sido numerosos os livros de divulgação científica publicados entre nós nos últimos anos. De entre esses livros assumem particular destaque os que abordam os grandes temas da física deste século, como a mecânica relativista e a mecânica quântica, incluindo aplicações às partículas e ao cosmos, ao caos e à complexidade, à biologia molecular e à genética, etc. Mas não se podem esquecer alguns títulos sobre matemática ou física clássica ou outros sobre medicina ou antropologia. A lista que se segue, reflectindo uma escolha necessariamente subjectiva, indica alguns livros de ciência que foram escritos na língua portuguesa ou traduzidos para português. Privilegiaram-se os livros de publicação mais recente e, por isso, de maior acessibilidade no mercado. Estão divididos por grandes temas. A ordem é a alfabética do título dentro de cada secção. Escolheu-se de cada autor um livro julgado mais representativo, mas indicam-se outros.

Ciência em Geral

A Cultura Científica e os seus Inimigos. O Legado de Einstein, Gerald Holton, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1998.
Holton, historiador da ciência na Universidade de Harvard (dirigiu o “Projecto de Física”, publicado pela Gulbenkian) e autor do conceito de "themata" na epistemologia da ciência, tem apenas e até há data este livro em português. Mas trata-se de um livro notável, bem escolhido para ser o número 100 da colecção "Ciência Aberta" da Gradiva. Fala do lugar privilegiado que a ciência ocupa no mundo de hoje, defendendo-a dos seus múltiplos inimigos. Serve-se do exemplo paradigmático de Einstein para mostrar como a criatividade é necessária em ciência, embora essa criatividade tenha de estar sempre contida numa "camisa de forças", formado pelo corpo de saberes anteriores, que nunca é arredado na totalidade.

Imposturas Intelectuais, Alan Sokal e Jean Bricmont, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1999.

Sokal é um físico norte-americano que enviou para uma revista de ciências sociais um artigo em que invocava a física e a matemática para extrair estranhas conclusões filosóficas e sociológicas. Era a brincar, até porque alguns argumentos estavam errados... No entanto, como a revista publicou o artigo, o caso originou uma extensa polémica  e tornou-se famoso. Até que ponto podem e devem as ciências humanas servir-se das conclusões das ciências exactas? Como evitar que a ciência seja deturpada nesse processo? Este livro, além de conter em apêndice o texto original da polémica, desenvolve o tema, analisando transcrições de vários pensadores contemporâneos (alguns das correntes chamadas "pós-modernas") e identificando numerosos erros.

Matemática

Aventuras Matemáticas, Miguel de Guzmán, colecção "O Prazer da Matemática", Gradiva, 1990.
Para que Portugal alcançasse o estatuto de país civilizado, era necessário que tivesse uma colecção de livros com jogos e outras recreações matemáticas. A Gradiva tem essa colecção, que se intitula "O Prazer da Matemática" e que começou com estas “Aventuras Matemáticas”, da autoria do matemático espanhol Miguel Guzmán. Muitos cérebros jovens, que precisam de motivação e estímulos para se desenvolverem, encontram neste livro e nos seguintes da mesma série (vários deles do norte-americano Martin Gardner) excelente matéria para exercício. Guzman é ainda o autor de “Contos com Contas” na mesma colecção.

História Concisa das Matemáticas, Dick Struik, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1989. 
Para quem pretende uma história breve da Matemática - e note-se que esta é a mais antiga das ciências e por isso difícil de resumir -, este é o livro que se recomenda. O autor é um conhecido matemático holandês.

Objectos Fractais, Benoît Mandelbrot, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1991.
 Fractais é um neologismo criado pelo matemático francês Mandelbrot para designar objectos muito fragmentados (pode até dizer-se de uma maneira sugestiva objectos "com buracos de todos os tamanhos"). A propriedade mais notável dos fractais é a auto-semelhança: parecem ser iguais qualquer que seja a escala de observação. Esta é a tradução de um dos ensaios originais sobre a geometria fractal, ao qual o autor acrescentou, à laia de posfácio (com revisão especial para a edição portuguesa), um ensaio sobre o impacte dos fractais, nomeadamente as suas relações com a arte, a matemática pura, etc. Na capa, vem o famoso conjunto de Mandelbrot, sobre o qual o prefaciador, invocando Pessoa, diz "que é tão belo como a Vénus de Milo e há cada vez mais gente a dar por isso".

Os Problemas da Matemática, Ian Stewart, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1995. 
Ian Stewart é um matemático inglês com muitos livros de divulgação. Neste, são passados em numerosos problemas matemáticos, qual deles o mais interessante. De Stewart há, ainda na Gradiva, “Deus Joga aos Dados? A Matemática do Caos”, “Jogos, Conjuntos e Matemática: Enigmas e Mistérios”.

Astronomia e Cosmologia

Cosmos, Carl Sagan, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, sem data. 
Um "best-seller" que constituiu o guião para a popular série televisiva com o mesmo nome. Não há dúvida que Sagan, astrofísico da Universidade de Cornell, Nova Iorque, EUA, e colaborador da NASA, entretanto falecido, tinha uma aptidão natural, encantadora, para transmitir ciência através dos media. Em “Cosmos”, tal como nos outros seus livros, nota-se a sedução da sua escrita. A primeira edição portuguesa não tem a profusão de imagens das edições em língua inglesa, mas surgiu depois uma edição ilustrada. Carl Sagan assinou também “Os Dragões do Éden”, “O Cérebro de Broca: A Aventura da Ciência”, “Sombras de Antepassados Esquecidos: Em Busca do que Somos” (com Ann Druyan), “Um Mundo Infestado de Demónios: A Ciência como uma Luz na Escuridão”, “O Caminho que Nenhum Homem Trilhou. O Inverno Nuclear e o Fim da Corrida aos Armamentos” (com Richard Turco), “Biliões e Biliões: Pensamentos sobre a Vida e a Morte no Limiar do Milénio”, “O Cometa” (com Ann Druyan), “O Ponto Azul-Claro: Uma Visão do Futuro do Homem no Espaço”, todos publicados pela Gradiva, “Ligações Cósmicas: Uma Perspectiva Extraterrestre”, na Bertrand, e “A Vida Inteligente no Universo” (com I. S. Chklovskii) e “O Frio e a Escuridão” (com outros), na Europa-América. Sagan é também o autor do romance de ficção científica “Contacto”, saído na Gradiva, que deu origem a um filme.

O Mundo Dentro do Mundo, John Barrow, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1998.
 1988 foi o ano do badaladíssimo livro de Stephen Hawking “Uma Breve História do Tempo”. Por isso, qualquer outra obra lançada no mesmo ano escrita por um físico e sobre física não podia escapar a uma comparação. A revista "Nature" não teve receio dessa comparação e escreveu que o astrofísico inglês Barrow, com este livro, era mais sério do que Hawking. No entanto, Hawking vende bem e Barrow, por melhor que seja (e é!), não tem a mesma saída. O comércio do livro tem razões que a razão da prestigiada revista britânica desconhece. “O Mundo dentro do Mundo” trata das leis da Natureza, falando da sua história e dos problemas filosóficos associados à descrição do mundo. De John Barrow há, na Gradiva, com Joseph Silk, “A Mão Esquerda da Criação: Origem e Evolução do Universo em Expansão” e, na Presença, “Teorias de Tudo”.

O Nascimento do Tempo, Ilya Prigogine, colecção "O Universo da Ciência", Edições 70, 1991 
Ilya Prigogine, famoso químico das Universidades Livre de Bruxelas, Bélgica, e de Austin no Texas, EUA, laureado com o Prémio Nobel da Química, defendeu que o nascimento do nosso tempo não é o nascimento do tempo. Se o leitor não teve fôlego para “A Nova Aliança: Metamorfose da Ciência” (Gradiva) ou se sente intimidado com “Entre o Tempo e a Eternidade” (Gradiva), ambos de Prigogine, tem, com “O Nascimento do Tempo”, uma oportunidade excelente para conhecer o autor e se interessar pela ideia do tempo. Os textos de dois colóquios em Milão são completados por uma curta nota biográfica e uma breve entrevista. Tudo em poucas páginas, para o leitor que não tem tempo a perder. O tempo, a acreditar em Prigogine, já existia antes do nosso tempo. Esta conclusão pode parecer confusa para quem ande atento às novidades da ciência e já tenha ouvido falar da grande explosão inicial. Andaram físicos de partículas como Weinberg, astrofísicos como Hawking e outros a persuadir-nos do nascimento do tempo para um químico nos vir dizer que o "início do tempo é uma ideia difícil de aceitar"... Trata-se, porém, de pôr em causa o "nascimento do tempo" e não de proclamar a "morte do tempo". Que o tempo existe é a mensagem que Prigogine tem propagandeado há muito. E o tempo, segundo Prigogine, deve ser o mesmo em todos os fenómenos em que a mudança se manifesta. É um facto, diz ele, a mudança, a história, a irreversibilidade. Mas, acrescenta, não é aceitável a ideia do instante inicial... Ainda de Prigogine, mais recente, há “O Fim das Certezas: o Tempo, o Caos e as Leis da Natureza”, na Gradiva.

Um Pouco Mais de Azul: A Evolução Cósmica, Hubert Reeves, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1981. 
É uma obra-prima da divulgação científica, que mostra como a ciência pode ser atraente, sem perder o seu rigor. Reeves, astrofísico de origem canadiana que trabalha em França no Centre National de Récherche Scientifique, é um "poeta" do universo. Sabe escutar os seus «sons» e reparar nas suas «cores» como poucos. Este é um livro destinado a despertar vocações! O título em português, retirado de um poema de Mário de Sá Carneiro, é bastante feliz por corresponder ao conteúdo poético do livro. De Reeves há ainda na Gradiva: “A Hora do Deslumbramento: Terá o Universo um Sentido?”, “Malicorne: Reflexões de um Observador da Natureza”, “Últimas Notícias do Cosmos”, “Poeiras de Estrelas”, “O Primeiro Segundo” e “Aves Maravilhosas Aves”. Em co-autoria com Yves Coppens e outros, na Gradiva, “A Mais Bela História do Mundo. Os Segredos das Nossas Origens” e, em co-autoria com René Thom e outros, na Dom Quixote, “Abordagem do Real”. No Instituto Piaget tem “Íntimas Convicções” e, com outros autores, ”A Sincronicidade, a Alma e a Ciência”.

Os Três Primeiros Minutos do Universo: Uma Análise Moderna da Origem do Universo, Steven Weinberg, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1987.
 Um clássico da literatura de astrofísica! Weinberg, Prémio Nobel da Física, escreveu, numa altura crucial do desenvolvimento da física das altas energias, este livro sobre a origem do Universo, que foi "devorado" não só pelos leigos como pelos próprios cientistas. Nele dá-nos a notícia da união de dois mundos até então separados: o muito pequeno e o muito grande. Weinberg, físico do muito pequeno, explica de forma sucinta mas brilhante como é que as partículas se relacionam com a origem do universo. De Steven Weinberg há ainda, na Gradiva, “Sonhos de uma Teoria Final”.

Ciências Físicas-Químicas

As Aventuras do Sr. Tompkins, George Gamow, colecção "Aprender/ Fazer Ciência", Gradiva, 1990. 
O Sr. Tompkins é um empregado bancário que adormece a ouvir conferências de um professor de Física. Enquanto dorme tem os sonhos mais delirantes. Imagina-se em universos diferentes, onde as constantes da física têm outros valores que não aqueles que conhecemos no nosso mundo e acontecem-lhe por isso as coisas mais incríveis. Acaba por casar com a filha do professor, continuando a dormir e a sonhar... Este é o resumo de "As Aventuras do Sr Tompkins", do físico norte-americano de origem soviética George Gamow, que a Gradiva republicou em português (havia uma edição dos anos cinquenta, traduzida por Rómulo de Carvalho, “O Senhor Tompkins Explora o Átomo”, na Escolar Editora, que corresponde à segunda parte deste livro; ainda mais antigo, na Biblioteca Cosmos, saiu “O Senhor Tompkins no País das Maravilhas”). Trata-se de um clássico da divulgação científica que conserva toda a frescura e irreverência iniciais. A ficção do físico Gamow é um pouco do género de “Alice no País das Maravilhas” do matemático Lewis Carrol. Conforme o autor adverte no prefácio, trata-se mais de literatura fantástica do que de ficção científica. Gamow, com o seu personagem Tompkins, aventura-se em reinos oníricos e fantásticos. Mas a sua prosa divulga apenas as situações fantásticas que a física moderna encontra e descreve...

Breve História do Tempo: Do Big Bang aos Buracos Negros, Stephen Hawking, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1988. 
É sabido que o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos desde sempre é ocupado, com grande avanço, pela Bíblia. A “Breve História do Tempo” de Stephen Hawking, embora, tal como a Bíblia, fale muito de Deus, ainda não conseguiu vender tanto... Mas vende-se bastante, um pouco por todo o planeta. Por que é que se tornou um “best-seller”? Estamos em presença de uma campanha publicitária bem concebida e bem paga, que incluiu até capas da "Newsweek" e outros magazines. O livro já estava vendido antes de ter aparecido escrito. Parece claro que faz parte dessa campanha uma exploração, um tanto ou quanto miserabilista, da doença que imobiliza o autor numa cadeira de rodas e o impede até de falar. Hawking é um excelente cientista e deve ser uma excelente pessoa. Se calhar, não tem culpa da exploração que fazem à volta dele (e se tem, está ilibado, pois cada um tem o supremo direito de fazer propaganda de si próprio). Mas daí a ser considerado o "génio do século", um herdeiro de Galileu, Newton e Einstein, uma vítima da malvada Academia Nobel que lhe não dá o merecido prémio, vão anos-luz de distância. É sabido que a publicidade organizada faz milagres: toda a gente já comprou, embora a maior parte desses compradores não tenha lido e portanto permaneça ignorante do "plano de Deus" (sic) para o Universo... É perfeitamente desejável que se vendam muitos livros de divulgação científica. O que pode ser mau é que o êxito comercial do livro se deva a razões mais próprias do "Jornal do Incrível" ("cientista só com miolos e sem corpo descobre todos os segredos do universo") ou que a repetida alusão ao nome de Deus se preste às mais variadas confusões. Da “Breve História do Tempo” saiu no ano 2000 uma edição revista e aumentada, comemorativa do 10.º aniversário da edição original. Saiu também na Gradiva uma edição ilustrada desse “best-seller”, em formato maior. Na Gradiva, Hawking publicou ainda “O Fim da Física” (título um pouco exagerado...). Nas Edições ASA, “Buracos Negros, Universos Bébés e Outros Ensaios”. Na Europa-América, com outros, “Prevendo o Futuro”. Na Difusão Cultural, com Gene Stone, “O Universo de Stephen Hawking”. Há vários outros títulos, de várias editoras, sobre Stephen Hawking e a sua obra. É um verdadeiro filão!

Caos: A Construção de Uma Nova Ciência, James Gleick, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1989. 
Trata-se de uma obra prima de reportagem jornalística sobre a moderna ciência do caos. Foi realizada por um jornalista científico do jornal norte-americano "New York Times" junto de vários cientistas (físicos, matemáticos, biólogos, etc.). É um livro indispensável para os jovens que gostam de programar e de usar o computador para criar fractais e atractores estranhos. As figuras têm excelente qualidade e um forte poder de atracção, incluindo a gravura da capa do alemão Peitgen. De Gleick, há ainda, na Gradiva, “Feynman: A Natureza do Génio”.

Ciência, Curiosidade e Maldição, Jorge Dias de Deus, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1986. 
Colectânea de vários textos, que o autor, professor e investigador do Instituto Superior Técnico e presidente da Associação para a Divulgação de Ciência e Tecnologia, foi publicando em jornais e revistas ao longo dos anos. Esta obra prova que os cientistas portugueses também podem fazer divulgação e da melhor. O livro dificilmente se pode classificar num certo assunto tal a variedade de temas que abarca, mas são de salientar os textos sobre energia e sobre as várias forças da Natureza. Assim, sofre um pouco da demasiada heterogeneidade dos textos. O penúltimo texto, uma glosa à «Ceia dos Cardeais», de Júlio Dantas, é brilhante, exibindo uma visão implacável de alguns dos nossos personagens universitários. O último fornece um retrato crítico, embora optimista, da situação da investigação científica em Portugal na data em que foi escrito. A situação mudou um pouco, mas ainda não o suficiente... Jorge Dias de Deus é autor, na Gradiva, de “Viagens no Espaço-Tempo”, um livro de introdução à relatividade e, na Direcção Geral da Educação de Adultos, de “O Que é a Ciência: A Parábola de Galileu”. É ainda co-autor do manual universitário “Introdução à Física”, da McGraw-Hill portuguesa.

O Código Cósmico: A Física Quântica como Linguagem da Natureza, Heinz Pagels, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1986. 
Um excelente livro, não só sobre a física quântica mas sobre (quase) toda a física moderna, a física do século XX. Aborda no início a relatividade e, no meio do livro, a física das altas energias, terminando com uma digressão sobre a metodologia das ciências físicas. O seu autor, professor de Física Teórica na Universidade de Rockefeller, em Nova Iorque, EUA, e presidente da Academia de Ciências de Nova Iorque, foi um especialista em física de altas energias que infelizmente morreu precocemente, em 1988, num acidente de montanhismo. A clareza do seu estilo, aliada ao rigor científico e a uma certa imaginação da escrita, merecem decerto muitos leitores. O prefácio é de António Manuel Baptista, que tem sido um dos divulgadores de ciência mais perseverantes no nosso país. Pagels deixou-nos ainda “Simetria Perfeita” e “Os Sonhos da Razão: O Computador e A Ascensão das Ciências da Complexidade”, ambos na colecção "Ciência Aberta" da Gradiva.

Einstein para Principiantes, Joseph Schwartz e Michael McGuiness, colecção "Para Principiantes", Publicações Dom Quixote, 1988. 
Numa colecção com numerosos títulos que se distingue pelo seu grafismo próprio, uma banda desenhada deveras cativante, que procura colocar a biografia de Einstein no contexto social, político e científico da época e, ao mesmo tempo, comunicar alguns rudimentos da teoria da relatividade restrita. Recomenda-se, pese embora a demagogia patente aqui e ali, nomeadamente no final do livro, com a alusão à bomba atómica. De outros autores mas na mesma colecção encontram-se “Energia Nuclear para Principiantes”, “Darwin para Principiantes”, “Genética para Principiantes”, “Newton para Principiantes”, “Universo para Principiantes”, etc.

O Essencial Sobre a Teoria da Relatividade, António Brotas, Imprensa Nacional, 1988. 
Num estilo muito próprio, António Brotas, professor de Física do Instituto Superior Técnico, transmite num espaço muito curto o essencial das ideias da relatividade. É muito barato, bastante útil e cabe em qualquer bolso.

"Está a Brincar, Sr. Feynman!": Retrato de um Físico Enquanto Homem, Richard Feynman, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1988. 
Relato divertidíssimo de episódios da vida de Feynman. Rebelde e sonhador, incapaz de se render à disciplina ou de andar a par e passo com os demais, Richard Feynman é talvez o único homem que, ao longo da sua vida, resolveu o mistério do hélio líquido, arrombou alguns dos mais "seguros" cofres de Los Alamos durante a construção da primeira bomba atómica, estudou a velocidade de rotação de um prato, acompanhou um espectáculo de bailado num instrumento de percussão, explicou física a génios como Einstein, foi considerado deficiente mental por um psiquiatra das Forças Armadas americanas e recebeu o Prémio Nobel da Física. Embora não seja um livro de divulgação científica propriamente dito serve, entre outros fins, para desmitificar uma certa imagem estereotipada dos cientistas. De Feynman há ainda na Gradiva: "Nem sempre a brincar, Sr. Feynman!: Novos Elementos para o Retrato de um Físico Enquanto Homem” (continuação das histórias auto-biográficas, com um humor muito próprio), “QED: A Estranha Teoria da Luz e da Matéria”, “Uma Tarde com o Sr. Feynman: Que é a ciência? Conferência Nobel e Outros Textos” e “A Lição Esquecida de Feynman” (um trabalho de David e Judith Goodstein, com base num manuscrito de Feynman). Há ainda uma antologia dedicada a Feynman, “O Melhor de Feynman”, de Laurie Brown e John Ridgen, na Gradiva. A melhor biografia de Feynman é a de James Gleick, “Feynman - a Natureza do Génio”, saída também na Gradiva.

A Evolução da Física: De Newton à Teoria dos Quanta, Albert Einstein e Leopold Indeld, colecção "Estudos e Documentos", Livros do Brasil, sem data. 
O mais famoso físico deste século (e talvez de sempre) dá-nos a sua visão do que é a física. Imprescindível para quem queira entender este ramo da ciência e mesmo a ciência em geral! De Einstein há ainda em português “O Significado da Relatividade” (edições da Arménio Amado e, mais recente, da Gradiva), com tradução de Mário Silva, “Como Vejo o Mundo” (Empresa Nacional de Publicidade), “Física e Realidade” (Universidade Nova de Lisboa) e “O Princípio da Relatividade”, com H. A. Lorentz e H. Minkowski, incluindo um ensaio de H. Weyl (Fundação Gulbenkian). E, claro, há muitos livros sobre Einstein e a relatividade.

Física Divertida, Carlos Fiolhais, colecção "Aprender / Fazer Ciência", Gradiva, 1991. 
Do prefácio: "O título Física Divertida parece paradoxal. Não é a física uma ciência maçadora e repulsiva, capaz de fazer meter as mãos pelos pés o mais inocente dos alunos e os pés pelas mãos o mais convencido dos professores? Este livrinho é a resposta - negativa! - do autor a essa pergunta. Ele está convencido de que a física pode ser interessante, atraente e até divertida. Não pretende convencer ninguém deste facto, mas acha que o carácter lúdico da física não se encontra ainda suficientemente divulgado." Este livro, que já vai na quinta edição e do qual existe "tradução" em brasileiro, aborda vários temas da física clássica, numa perspectiva histórica e de uma maneira leve. Apresenta aqui e ali sugestões para a realização de experiências simples. Os "cartoons" humorísticos são de José Bandeira. Do mesmo autor há ainda, na Gradiva, “Universo, Computadores e Tudo o Resto” e “A Coisa Mais Preciosa que Temos” e, na Bizâncio, em co-autoria, “Ciência a Brincar”  (vários volumes).

Grande Circo da Física, Jearl Walker, colecção "Aprender /Fazer Ciência", Gradiva, 1990. 
Jearl Walker mostra-nos, neste livro, que a ciência pode ser tão espectacular como o circo e tão surpreendente como o mundo que ela descreve. Oferece-nos uma série impressionante de questões e respostas não só sobre o funcionamento das coisas do mundo de todos os dias como também de algumas coisas que não se vêem todos os dias. Ensina-nos como a física pode ser aprendida na vida e incentiva-nos a ligar mais a escola à vida corrente. “O Grande Circo da Física” fornece problemas (e respostas!) para um sem-número de ocasiões anormais. Walker propõe-nos questões avulsas que se podem levantar nas mais diversas circunstâncias, domésticas ou públicas (como funciona o forno de micro-ondas, como se escutam segredos numa igreja, etc.). Um professor de Física, uma vez lido este livro, pode interrogar o aluno, e um aluno, desde que o tenha lido, pode também desafiar o professor. Este circo é um desfile de cenas curiosas do nosso mundo destinadas a seduzir alunos, professores e os potenciais espectadores que somos todos.

Infinito em todas as Direcções, Freeman Dyson, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1990. 
Dyson, inglês que trabalha no Instituto de Princeton, nos EUA, é um dos físicos que melhor escreve, não se limitando nos seus escritos à sua ciência mas antes aventurando-se por vezes por uma corajosa prospectiva. Os temas que aborda e o seu estilo são deveras estimulantes. Outros livros de Dyson são, na Gradiva / Universidade de Aveiro, “Mundos Imaginados” e, na Temas e Debates, “O Genoma, o Sol e a Internet”.

A Mente Virtual: Sobre Computadores, Mentes e as Leis da Física, Roger Penrose, Gradiva, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1997. 
Um livro que defende, com abundante argumentação, que o funcionamento do cérebro só se virá a explicar com novos desenvolvimentos da mecânica quântica. A tese do matemático de Oxford é polémica e tem dado, por isso, aso a vários debates. De Penrose e em co-autoria com Hawking há ainda na Gradiva um livro bastante mais técnico: “A Natureza do Espaço e do Tempo”.

A Palavra das Coisas ou A Linguagem da Química, Pierre Laszlo, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1995. 
Por razões que interessaria averiguar, há não só em Portugal mas em todo o mundo poucos livros de divulgação da Química. Este é um dessa pequena lista. O químico francês, da Universidade da Sorbonne, serve-se da história e aproveita o tema da simbologia para fazer a apologia da Química. De Laszlo existe, no Instituto Piaget, “A Nova Química” e, na Terramar, “O Que é a Alquimia?”.

O Quark e o Jaguar: Aventuras no Simples e no Complexo, Murray Gell-Mann, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1997. 
O autor, Prémio Nobel da Física pela sua descoberta dos quarks (partículas constituintes dos protões e dos neutrões), tem dedicado nos últimos anos atenção aos fenómenos da complexidade, sendo membro fundador do Instituto de Santa Fé, nos Estados Unidos, uma instituição interdisciplinar vocacionada para explorar os novos desafios da complexidade (que abrange o funcionamento dos seres vivos, como o jaguar). No seu livro, Gell-Mann tenta fazer a síntese entre o simples e o complexo.

O Que é uma Lei Física, Richard P. Feynman, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1989. 
Livro clássico que reúne uma série de conferências sobre vários temas de Física, proferidas na Universidade de Cornell em 1963 e gravadas pela BBC, que revelam bem o estilo vivo e fresco de Feynman. O livro procura responder às seguintes perguntas: "Qual é a natureza do saber que as ciências físicas elaboram? Qual é a natureza do mundo que nos dão a conhecer?" Recomenda-se a todos os professores de ciências pela originalidade da exposição. O capítulo sobre a mecânica quântica, por exemplo, é genial e tem sido citado inúmeras vezes.

Subtil é o Senhor: Vida e Pensamento de Albert Einstein, Abraham Pais, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1993. 
Havia muitas biografias de Einstein mas faltava-nos uma biografia de referência, uma obra completa e autorizada, sobre o físico que de técnico de terceira classe numa obscura repartição de patentes em Berna se transformou numa figura mítica, de cabeleira branca e esparsa, olhos encovados, bigode bondoso, camisola de lã e sandálias, reconhecido por todos como o "génio do século". O livro foi escrito pelo físico Abraham Pais, que soma ao seu profundo conhecimento da física deste século o convívio pessoal que teve com Einstein. De Pais, na Gradiva, há ainda “Einstein Viveu Aqui”.

Virar o Mundo do Avesso e Outras 174 Demonstrações Físicas Simples, Robert Ehrlich, colecção "Aprender /Fazer Ciência", Gradiva, 1992. 
Eis um livro, de um professor na Universidade de George Mason, EUA, que nos transmite a forma como deveria ser a educação científica, nomeadamente o ensino da Física, a nível introdutório: recorrendo ao método experimental. Descrevem-se numerosas demonstrações físicas fáceis de executar e que ilustram conceitos importantes de uma maneira curiosa. Destinadas a professores, alunos e simples curiosos, estas demonstrações fazem-se com objectos de baixo custo e uso quotidiano. Muitas são originais; outras são variantes novas de velhas ideias. Todas as descrições resumem o objectivo, o equipamento necessário e o procedimento a seguir, referindo ainda, por vezes, a possibilidade de recurso a um retroprojector para facilitar a visualização e a compreensão por parte dos alunos na sala de aula. Estas demonstrações abrangem vários níveis educativos, desde as aulas de Física do ensino secundário até à Física ensinada nas universidades.

Ciências da Terra

O Caso Némesis: História da Morte dos Dinossauros e dos Caminhos da Ciência, David Raup, colecção "Forum da Ciência", Publicações Europa-América, 1989. 
Raup é um paleontólogo norte-americano que propôs uma teoria heterodoxa sobre a queda do meteorito que teria extinto os dinossauros. Uma estrela companheira do Sol, ainda por descobrir, seria afinal a responsável... Raup consegue ser brilhante ao relatar por dentro os meandros da moderna investigação científica. A comunidade científica reagiu às teses de Raup como costuma fazer perante teses mais especulativas (veja-se o que aconteceu com a experiência portuguesa descrita por Sebastião Formosinho, professor de Química na Universidade de Coimbra, em “Os Bastidores da Ciência”, Gradiva). Este é um dos melhores volumes da colecção "Forum da Ciência" das Publicações Europa-América.

Da Pedra à Estrela, Claude Allègre, colecção "Ciência Nova", Publicações Dom Quixote, 1987. 
O autor, geofísico prestigiado, foi Ministro da Educação e Ciência em França. Esta obra, com bastantes ilustrações, percorre o caminho que vai das ciências geológicas à astrofísica. O nosso conhecimento dos planetas do sistema solar tem aumentado nos últimos tempos com o envio de sondas e o antigo intervalo entre as Ciências da Terra e as Ciências do Espaço está-se a tornar cada vez menor. Claude Allègre tem ainda em português, na Gradiva, “A Espuma da Terra”, na Relógio d’Água, “As Fúrias da Terra”, na Teorema, “Introdução a uma História Natural: Do Big Bang ao Desaparecimento do Homem” e, no Instituto Piaget, “Ecologia das Cidades, Ecologia dos Campos”.

Ciências da Vida

O Acaso e a Necessidade: Ensaio sobre a Filosofia Natural da Biologia Moderna, Jacques Monod, colecção "Biblioteca Universitária", Publicações Europa-América, sem data. 
Um ensaio notável de um biólogo eminente, Prémio Nobel da Medicina (conjuntamente com F. Jacob e A. Lwoff) e ex-director do Instituto Pasteur de Paris, sobre os mecanismos da vida. A vida é dos fenómenos mais relevantes entre todos os que constituem o objecto da ciência: os mecanismos últimos dos fenómenos biológicos são hoje uma das fronteiras da ciência. Monod discute se a vida se pode explicar apenas com base em leis determinísticas ou se há necessidade de elementos aleatórios. O título do livro, que se tornou uma expressão proverbial em qualquer discussão sobre a origem da vida, provém do grego Demócrito: «Tudo o que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade». De Monod há, em co-autoria, “Das Ciências na Filosofia: Da Filosofia nas Ciências, na Res.

A Diversidade da Vida, Edward Wilson, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1997. 
Wilson é o fundador da sociobiologia e o autor do melhor tratado do mundo sobre formigas. Introduziu também o conceito de "consiliência" relativo à unificação das ciências. Neste livro explica o que é a biodiversidade e chama a atenção para as ameaças actuais que o homem lhe tem causado. Para muita gente o problema da conservação da biodiversidade é um dos mais prementes que a humanidade enfrenta. De Wilson há também na Gradiva, em co-autoria com Lunden, “O Fogo de Prometeu”.

A Dupla Hélice: Um Relato Pessoal da Descoberta da Estrutura do ADN, James Watson, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1987. 
Um livro clássico de divulgação científica que narra o modo como o autor, juntamente com Francis Crick, resolveu o enigma da estrutura do ADN, a molécula onde reside o código genético. Mostra como são feitas as grandes descobertas. Fundamental!

O Jogo: As Leis Naturais que Regulam o Acaso, Manfred Eigen e Ruth Winkel, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1989. 
Eigen, alemão Prémio Nobel da Química, usa neste livro o tema do jogo, onde se reúnem os elementos do "acaso e da necessidade", para apresentar a complexidade química e biológica. Parte de jogos clássicos mas propõe alguns jogos novos que podem ser construídos e jogados pelos leitores.

O Jogo dos Possíveis, François Jacob, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1982. 
Com este pequeno livro foi inaugurada a colecção "Ciência Aberta", no ano de 1982. É um "ensaio sobre a diversidade do mundo vivo" por um Prémio Nobel da Medicina que se lê com bastante prazer. De Jacob, há ainda, na Gradiva, ”O Ratinho, a Mosca e o Homem” e, nas Publicações Dom Quixote, “A Lógica da Vida” e “A Estátua Interior: Autobiografia”.

Quando as Galinhas Tiverem Dentes, Stephen Jay Gould, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1989. 
Gould, entretanto falecido, é um paleontólogo da Universidade de Harvard, EUA, que tem o dom natural da comunicação escrita. Tudo o que provém dele é bom, incluindo este conjunto de textos sobre a evolução. Trata-se de uma grande colectânea de textos que aparecem, com uma certa unidade, sob um título original. São muito interessantes os capítulos sobre a queda dos meteoritos e as extinções em massa. Dá a ideia que Gould tem uma erudição incomensurável na biologia, um pouco como Borges na literatura. Recomendamos também, da mesma editora e do mesmo autor, “O Polegar do Panda” e “A Vida É Bela”. E ainda, na Relógio d’Água, “Um Ouriço na Tempestade”, na Presença, “O Mundo Depois de Darwin” e, na Europa-América, “A Feira dos Dinosáurios”, “Os Oito Porquinhos” e “O Fascínio do Millenium”.

Um Mundo Imaginado: Uma História de Descoberta Científica, June Goodfield, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, sem data. 
Um relato cativante da actividade científica de uma bióloga portuguesa (Maria de Sousa, da Universidade do Porto), que revela o que é a prática da ciência e pode ajudar a despertar vocações para a ciência.

O Relojoeiro Cego, Richard Dawkins, colecção "Universo da Ciência", Edições 70, 1988. 
Livro muito bom, talvez o melhor da colecção "Universo da Ciência" das Edições 70, que injustamente passou algo despercebido entre nós quando saiu (o motivo pode ter a ver com uma certa tradição de ignorância e indiferença pelas ideias de Darwin no nosso país). Dawkins defende inteligentemente o ponto de vista de que a evolução é cega, não sendo portanto necessário invocar um "criador". São bastante curiosas as experiências computacionais para obter várias formas de vida. De Richard Dawkins há ainda “O Gene Egoísta”, na Gradiva (com segunda edição revista e aumentada) e “A Escalada do Monte Improvável”, editado pela Gradiva / Universidade de Aveiro.

A Vida Privada das Plantas: uma História Natural do Comportamento das Plantas, David Attenborough, Gradiva, 1995. 
Attenborough é um biólogo que se especializou em programas de televisão sobre história natural, que a BBC divulgou na Grã-Bretanha e no mundo. Este é um dos livros referentes a uma das séries mais recentes. Bem ilustrado, é um convite a conhecer melhor o mundo das plantas. De Attenborough há ainda em português “A Vida na Terra: Uma História Natural” e “O Planeta Vivo: Um Retrato da Terra”, nas Selecções do Reader‘s Digest, e “O Primeiro Éden: O Mundo Mediterrânico e o Homem”, na Gradiva.

Tecnologia

A História dos Balões, Rómulo de Carvalho, colecção "Ciência", Relógio d´Água, 1991. 
Este livro saiu na colecção nos anos 60 «Ciência para Gente Nova» da extinta editora Atlântida de Coimbra, que era das poucas colecções portuguesas de divulgação de ciência. Os livros dessa colecção, pequenos mas extremamente motivadores, valiam mais do que os manuais de Física e Química dos liceus. Naqueles livrinhos para gente nova percebia-se tudo porque o autor se esforçava não só para que o leitor percebesse como também para que gostasse de ter percebido. A ciência não parecia acabada, em proposições e fórmulas rígidas, mas revestida de um contexto histórico, de descoberta, de tentativa e erro. Foi Rómulo de Carvalho (que é também o poeta António Gedeão) não só o autor como o grande responsável pela longevidade dessas publicações para gente nova. O seu estilo, a sua sensibilidade, a sua alegria de saber sobreviveram às perturbações do tempo. Existem outros livros antigos deste autor que a editora Relógio de Água está, felizmente, a reeditar: “Física no Dia-a-Dia” e “A Ciência Hermética”. Recomenda-se, em particular “A Física no Dia-a-Dia”, reedição num único volume e com prefácio de José Mariano Gago dos dois volumes de “Física para o Povo”. Noutro registo, o do ensaio histórico, encontram-se publicados pelo Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, “A Física Experimental em Portugal no Século XVIII”, “A Astronomia em Portugal no Século XVIII” e “A História Natural em Portugal no Século XVIII”. E há bastantes mais!

Homens e Robots: O Futuro da Inteligência Humana e Robótica, Hans Moravec, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1992. 
Moravec é um engenheiro electrotécnico norte-americano, especialista em robôs, que neste livro faz uma extrapolação, para alguns algo delirante, sobre o futuro dessas máquinas. Segundo ele, os robôs, num prazo máximo de 50 anos, acabarão simplesmente por substituir o homem! São o passo seguinte na evolução humana, pois nada melhor do que combinar um corpo indestrutível com uma mente superior. E esta?

Os Próximos 100 Anos: Modelando o Destino da Vida na Terra, Jonathan Weiner, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1991. 
Weiner depois do seu belo livro “O Planeta Terra”, publicado na Gradiva, "voltou a atacar" com este livro, onde os dois 00 da capa representam a Terra. O planeta Terra concita hoje todas as atenções. É como se tivéssemos vivido sempre na mesma casa e só agora começássemos a olhar para o telhado, as paredes e o chão. O efeito de estufa que se manifesta no aumento gradual da temperatura atmosférica, preocupa cientistas, políticos e cidadãos. O buraco de ozono sobre a Antárctica e noutros sítios suscita a discussão de técnicos, jornalistas e leitores. Os problemas do clima à escala global e os efeitos da actividade humana sobre o ambiente, incluindo as questões da poluição industrial, da radioactividade artificial e da destruição de grandes ecossistemas naturais inquietam justamente os habitantes do planeta. Os cientistas (fisicos, químicos, geólogos, biólogos, meteorologistas, etc.) discutem uns com os outros enquanto continuam a recolher registos. Os economistas receiam o futuro. Os ministros reúnem e os presidentes hesitam. Os cidadãos, que têm por vezes razões para desconfiar dos cientistas e dos políticos, não sabem muito bem em quem ou em que acreditar. A leitura deste livro ajuda a compreender a nossa actual situação e a perspectivar melhor o nosso futuro comum.

Medicina e Antropologia

O Animal Humano, Desmond Morris, Gradiva, 1996. 
Morris é um zoólogo e antropólogo bastante mediático. As suas teses sobre a espécie humana merecem atenção até porque estão escritas de uma maneira que sabe captar a atenção. Este livro, associado a uma série televisiva da BBC, constitui uma espécie de síntese de vários livros de Morris. O autor tem numerosas obras em português: “O Macaco Nu” (talvez a obra mais conhecida e um grande êxito em Portugal quando foi publicado), “O Zoo Humano”, “Os Gestos. Suas Origens e Significado”, “Guia Essencial do Comportamento do Gato”, “Guia Essencial do Comportamento do Bebé”, “A Biologia da Arte: Um Estudo Comparativo da ‘Arte’ dos Grandes Símios com a Arte Humana”, “Homens e Macacos”, “Reprodução das Espécies”, “Mistérios do Natal”, “O Tempo dos Animais”, “A Tribo do Futebol”, todos na Europa-América, “O Casal a Nu”, na Portugália, e “Os Sexos Humanos”, na Terramar, etc.

Um Antropólogo em Marte, Oliver Sacks, colecção "Antropos", Relógio d’Água, 1996. 
Conjunto de histórias bem curiosas que abrangem várias patologias humanas. O autor é neurologista norte-americano de origem inglesa e um dos médicos que melhor faz divulgação do ofício da Medicina (não deve ser esquecido o médico já falecido Lewis Thomas). Neste livro encontra-se a história do pintor que deixou de ver cores mas continuou a pintar até á história de um cego que passou a ver. Do mesmo autor, na mesma editora, há “O Homem que Confundiu a Mulher com um Chapéu”, “Despertares” (que deu origem a um filme) e “A Ilha sem Nome”.

O Erro de Descartes: Emoção, Razão e Cérebro Humano, António Damásio, colecção "Forum da Ciência", Publicações Europa-América, 1995.
 Damásio é um médico português especialista no cérebro humano que trabalha há muitos anos na Universidade de Iowa, Estados Unidos. Neste livro parte da sua experiência clínica para defender a tese de que a emoção é indissociável da razão na tomada de decisões pelo cérebro humano. O erro de Descartes terá sido a primazia dada à razão. O livro alcançou êxito nos Estados Unidos e ainda mais em Portugal, onde se têm sucedido as edições. Mas, como se trata de uma obra relativamente difícil, não será exagerada a suposição de que muitos leitores não o leram. Valerá a pena que o façam... até para discutirem o livro. Do mesmo autor, também na Europa-América, “O Sentimento de Si”, e, em co-autoria, na Presença, “Novas Perspectivas das Ciências do Homem”.

E o Homem Encontrou o Cão, Konrad Lorenz, colecção "Ciência", Relógio d’Água, 1997.
 O austríaco Lorenz é talvez o etólogo mais conhecido. Dele se diz ser o homem que fala com os animais. Neste livro trata a relação entre o homem e os animais domésticos, o cão e o gato. De Lorenz há ainda em português ”Os Oito Pecados Mortais da Civilização” (Moraes e Litoral), “A Agressão: Uma História Natural do Mal” (Moraes e Relógio d’Água), “O Homem Ameaçado” e “O Homem Avançado” (Dom Quixote), “Três Ensaios sobre o Comportamento Animal e Humano” (Arcádia) e “Ele Falava com os Mamíferos, as Aves e os Peixes” (Europa-América). Finalmente tem, em co-autoria com Popper, “O Futuro Está Aberto” (Fragmentos).

Um Modo de Ser: Ensaios, João Lobo Antunes, colecção "Ciência Aberta", Gradiva, 1996. 
Livro que é um conjunto de ensaios, extraordinariamente bem escritos, sobre medicina e a sua relação com o mundo da autoria de um neurologista português, professor da Universidade de Lisboa, que trabalhou muitos anos em Nova Iorque. O livro foi o pretexto para a atribuição do Prémio Pessoa ao seu autor. Do mesmo autor, na Gradiva, há o livro mais recente “Numa Cidade Feliz”.

O Ovário de Eva, Clara Pinto Correia, colecção "Ciência", Relógio d’Água, 1998. 
Publicado em primeira mão nos Estados Unidos e com um prefácio laudatório de Stephen Jay Gould, este livro é um da numerosa bibliografia da autora, que além de obras de biologia escreve outras de ficção. Trata, numa perspectiva histórica, dos problemas da fecundação e desenvolvimento do embrião. Outros livros de divulgação científica da autora são “O Essencial sobre os Bebés-Provetas” (Imprensa Nacional), “Histórias Naturais” e “Portugal Animal” (Publicações Dom Quixote), “O Mistério dos Mistérios” e “Clones Humanos” (Relógio d’Água) e “Clonai e Multiplicai-vos” (Texto Editora).

Ciência Livros de ciência infantis 

Embora ainda tenha de mudar mais para se aproximar de países mais desenvolvidos o país mudou, de facto, ao longo dos últimos anos. Um dos sintomas dessa mudança é a disponibilidade de uma grande variedade de obras ilustradas sobre ciência para crianças e adolescentes. Faziam falta... Os jovens de hoje têm ao seu alcance livros de ciência interessantes, atraentes e divertidos, e até os adultos podem lê-los com um contentamento infantil mal disfarçado. 

Nos últimos anos foram de facto publicadas em português excelentes obras de divulgação científica para os mais novos. Pretende-se aqui recomendar alguns desses títulos, oferecendo uma selecção centrada nos álbuns ilustrados que enchem o olho e que podem encher a cabeça dos leitores juvenis. São boas prendas de Natal ou de anos! Escolhemos livros sobre astronomia, ciências físico-químicas, ciências da Terra, ciências da vida,  Medicina  e Tecnologias destinados a leitores entre os 6 e os 16 anos (a Matemática é um mundo por si só).

 A "revolução" recente na oferta de livros juvenis de ciência deve-se, por um lado, à existência de um mercado receptivo a esse tipo de consumo cultural e, por outro, à clarividência de alguns editores, que têm regido as suas escolhas por critérios de qualidade. Merecem destaque entre as editoras a Verbo, a Civilização, as Selecções do Reader’s Digest, etc., que editam entre nós os livros da Dorling Kindersley (editora inglesa com forte presença nos EUA), e a Gradiva, que na sua colecção "júnior" edita, entre outros, livros da Kids Can Press (Canadá) e da Freeman (EUA). 

Os livros da Dorling obedecem a uma organização ditada pelo design e pelas imagens. Diz-se que são livros para a geração electrónica, dominada pelo vídeo, computadores e CD-ROMs e que supostamente só se deixa prender por clips de três minutos. A prosa aparece em pequenos nacos, nunca é demasiado substancial, e complementa as ilustrações, em geral bastante apelativas. Há quem ache que tais livros têm um pequeno valor didáctico pois são mais colecções de imagens do que livros tradicionais. Mas achamos, pelo contrário, livros didácticos são aqueles, como os da Dorling, que conseguem sair do interior das capas para captar a atenção e a imaginação dos leitores. Alguns desses livros são tão bem feitos que tanto podem interessar a petizes de palmo e meio como a doutorados em Física. 

Por sua vez, os livros da Kids Can Press e da Freeman têm aspecto menos deslumbrante sendo, portanto, mais baratos. Centram-se na realização de actividades experimentais pelos jovens leitores e vêm salpicados de humor. Trazem, por vezes, “gadgets”, como balões, cassetes, etc. O jovem é fortemente encorajado a fazer com as suas mãos, a observar com os seus olhos e a concluir com a sua cabeça. Tratam-se de obras que possibilitam processos de auto-aprendizagem (afinal, a única forma de aprendizagem!), que podem ser facilitados pelo acompanhamento de pais e professores. Os pais, tios e padrinhos bem os podem oferecer aos seus filhos, sobrinhos ou afilhados, porque as vocações ficarão dormentes se não dispuserem de livros para primeiro despertarem e depois permanecerem activas. E os adultos bem podem aproveitar para aprender ciência se acaso mantiverem com a ciência um distanciamento traumático provocado talvez pela ausência de livros motivadores na infância... 

A existência na sociedade - nas livrarias, hipermercados e feiras do livro - de obras vivas e alegres, que fazem a verdadeira reforma do ensino, contrasta com certos estados de apatia instalados nas escolas. A reforma do ensino está nas estantes das livrarias e hipermercados: é preciso metê-la no cesto e trazê-la para casa! Com efeito, os livros que estamos a falar assentam na sedução pelo mundo à nossa volta, no fascinante exercício da interrogação que esse mundo nos suscita, e no prazer de procurar explicações que encaixem umas nas outras. Promovem uma aprendizagem activa das ciências, por meio da experimentação e da interpretação dos resultados. Alguns livros são eles próprios pequenos museus de ciência, interactivos e tudo. 

Há quem diga que os livros estão condenados a prazo. Que os novos media electrónicos (vídeos, CD-ROMs, Internet, etc.) ao substituir os livros "enrasquecem" as gerações contemporâneas. Não estão demonstradas essas teses algo exageradas. De facto, as livrarias modernas têm software nas estantes mas não deixaram por isso de ter livros, com papel e duas capas, que continuam a ser lidos pelos jovens. Os livros são eternos e continuam a interessar as novas gerações...

Mas, para que os bons livros sejam lidos, não basta que existam. O papel da escola, escolhendo os melhores e disponibilizando-os nas suas bibliotecas, é insubstituível. Se a escola falta, falta tudo. Por outro lado, o papel da família, por meio do incitamento à leitura e à realização de actividades dirigidas pela leitura não é menos indispensável. Se a família falta, faltar também tudo. É obrigação da escola e da família reclamar os melhores livros, para que nada falte às crianças. Em particular, para que não lhes falte ao longo da vida o gosto pelas ciências... 

As principais editoras de livros de ciência para crianças são:

- Bertrand: http://www.bertrand.pt/ 
- Círculo de Leitores: http://www.circuloleitores.pt/ 
- Civilização
- Gradiva: http://www.gradiva.pt/ 
- Verbo: http://www.editorialverbo.pt/ 

Para actualização das novidades deve consultar as páginas da Internet destas e de outras editoras. Agruparam-se os livros por temas e segue-se a ordem alfabética dos títulos dentro de cada tema. Indica-se a faixa etária dos destinatários, que infelizmente quase nunca aparece nos livros.

Astronomia e Astronáutica

Atlas do Universo, Heather Couper e Nigel Henbest, Civilização, 1993, a partir dos 8 anos.
Um guia do Universo correcto, actualizado, ilustrado, em grande formato, da autoria de dois conhecidos astrónomos. Devia existir em todos os lares e estar ao alcance de todas as crianças! A quantidade de informações que fornece é astronómica. Na mesma colecção há ainda  “Atlas do Mundo”, “Atlas da Terra” e “Atlas dos Oceanos”, entre outros de qualidade similar. Este último recebeu o apoio da "Expo 98". De Heather Couper e Nigel Enbest ver ainda os dois livros seguintes e “Astronomia e Física”, na Verbo, e “O Universo: O Infinito Mais Próximo” (coordenação Robin Kerrod), no Círculo de Leitores.

Big Bang: A História do Universo, Heather Couper e Nigel Henbest, Gradiva, colecção "Gradiva Júnior", 1997, e Buracos Negros, idem, a partir dos 10 anos.
 Dois lindíssimos álbuns da Dorling Kindersley com textos cientificamente correctos e desenhos atraentes de Luciano Corbella.

O Grande Livro do Espaço, William Edmonds, Estampa e Círculo de Leitores, 1995, e O Grande Livro do Tempo, idem, a partir dos 10 anos.
 Dois livros semelhantes, de formato grande, com informação sugestiva e ilustrações atraentes, da editora inglesa Marshall.

O Meu Primeiro Livro de Astronomia: Um Guia Diário para Todas as Noites, Jamie Jobb, Gradiva, colecção "Gradiva Júnior", 1993, a partir dos 10 anos.
 Magnífica introdução à astronomia para jovens, com um texto informativo e ilustrações simples mas cativantes. O original foi publicado por uma editora da Califórnia cujos livros se baseiam em experiências concretas de professores que pretendem estimular o gosto pela ciência nos jovens. A tradução do incansável divulgador de astronomia Máximo Ferreira é de confiança. Este livro pode ajudar alunos, professores e pais a lidar com o programa de Física do 7º ano, que começa com algumas noções básicas de astronomia. Contém um disco que permite saber o peso do leitor em qualquer planeta...

Porquê Deitar Fora? Naves Espaciais Fantásticas, Jen Green, Âmbar, 1993, dos 8 aos 12 anos. 
Não é propriamente um livro de divulgação científica mas baseia-se numa ideia com algo científica: aproveitar lixos em actividades de trabalhos manuais para fazer obras que estão entre a arte e a ciência... A adaptação é de Maria Alberta Meneres, conhecida escritora de livros infantis. De Jen Green há ainda, na Edinfer, “Máscaras Malucas”, “Máquinas Incríveis” e “Animais Divertidos”.

Porque Será que as Estrelas Cintilam e Outras Perguntas sobre o Espaço, Carole Stott, Círculo de Leitores, colecção "Porque Será Que?", 1995, dos 8 aos 12 anos. 
Na mesma série: “Porque Será que os Camelos Têm Bossas”, “Porque Será que a Barriga Faz Barulho”, etc. Livro de perguntas cuja tradução deixa a desejar (um bilião não são mil milhões). A autora é astrónoma e conhecida autora de livros de astronomia. De Stott ver o livro seguinte e ainda, para adultos, “Cartas Celestes: Antigos Mapas dos Céus”, na Dinalivro. Em co-autoria com Clint Twist tem, na Texto Editora, “Factos sobre o Espaço”.

No Vaivém Espacial, Carole Stott, Civilização, colecção "Livros de Acção", 1998, a partir dos 8 anos.
 Livro da Dorling Kindersley, para montar o "space shuttle" em papel, que é aproveitado nos currícula escolares da Grã-Bretanha. Não confundir com o também muito interessante “O Espantoso Vaivém Espacial a 3 Dimensões”, David Hawcock, Civilização, 1999, basicamente um modelo desdobrável do vaivém espacial com a altura de 1,2 m.

Ciências Físico-Químicas

Ciência a Brincar, Constança Providência, Helena Alberto e Carlos Fiolhais, Bizâncio e Sociedade Portuguesa de Física, 1999, dos 6 aos 12 anos. 
Experiências para crianças em idade pré-escolar e da escola primária com materiais muito fáceis de conseguir e montar. Essas experiências foram realizadas num projecto envolvendo dezenas de escolas, com resultados muito bons. A colecção continuou com mais dois volumes até à data.

Ciência com Sons, Etta Kaner, Gradiva, colecção "Gradiva Júnior", 1993, dos 9 aos 15 anos.
 A autora é uma professora canadiana, já conhecida do livro “Ciência com Balões”, o primeiro livro da Gradiva Júnior. Livro com actividades e curiosidades sobre sons e música. O livro inclui uma cassete produzida por António Manuel Baptista, conhecido professor de física e divulgador de ciência, com o relato "ao vivo" de algumas experiências com sons. O conteúdo da cassete é um pouco desajustado do nível etário dos prováveis leitores do livro, mas os professores e educadores podem ouvi-la com proveito.

Enciclopédia de Ciência 1- A Química, Verbo, 1994, a partir dos 10 anos.
 Enciclopédia para jovens (e não só!) ricamente ilustrada, ainda da Dorling Kindersley. A informação factual está, em geral, correcta cientificamente. Repare-se que esta enciclopédia não tem um autor pois é obra de uma vasta equipa, onde avultam os "designers". Existem três outros volumes intitulados “Física”, “Terra e Espaço” e “A Vida”.

101 Experiências com a Ciência, Neil Ardley, Texto Editora, 1996, a partir dos 9 anos.
 Mais de cem experiências para fazer na escola e em casa, convenientemente descritas e ilustradas. Ardley é um prolixo escritor para crianças. É autor ainda de “O Mundo das Aves”, “Música: A História e a Evolução dos Instrumentos Musicais, dos mais Primitivos aos mais Recentes” (Verbo), “A Casa do Futuro: Estudo, Trabalho e Diversos”, “Rumo ao Espaço” (Porto Editora) e “A Física: Chave do Progresso” (Círculo de Leitores).

Experiências Simples de Ciência com Materiais Disponíveis, Muriel Mandell, Bertrand, 1997, a partir dos 10 anos.
 Na mesma série: “Experiências Simples de Química”, “Experiências Simples sobre o Clima”, “Experiências Simples sobre o Voo e o Espaço”, “Experiências Simples na Cozinha: Descobre a Ciência com Alimentos Disponíveis”, etc., sempre com materiais disponíveis. Todos eles são livros de receitas para experimentar em casa, relativamente económicos.

Galileu, Steve Parker, Desabrochar, 1991, dos 8 aos 12 anos.
 Biografia breve do grande cientista italiano, escrita especialmente para jovens. Na mesma colecção há biografias de Charles Darwin, Isaac Newton, Madame Curie, Thomas Edison, Louis Pasteur (todos do mesmo autor), etc. A tradução (não assinada!) deixa um pouco a desejar, nomeadamente o glossário. Uma outra biografia de Galileu para jovens merece uma referência: Yves Chéraqui, “Galileu”, nas Edições Asa. Parker tem numerosos livros traduzidos em português: “Medicina”, “Corpo Humano”, “Electricidade”, “Ossos e Estruturas Ósseas”, “Rios & Lagos”, “Peixes”, “Insectos”, “Beira-Mar”, “Mamíferos”W (Verbo), “O Planeta Terra”, “História da Medicina” (Estampa e Círculo de Leitores), “Os Túneis são Redondos: E Outras Perguntas Sobre Construção” (Desabrochar), “O Corpo” (Valor), “Japão” (Edinter), “Voar como as Aves” (Pública), “Como Funciona a Terra” (Círculo de Leitores). Ver ainda adiante: “53 1/2 Coisas que Mudaram o Mundo e Algumas que não Mudaram” e “O Corpo Humano: Uma Visão Espantosa de Como Somos por Dentro” (Caminho).

A Incrível Viagem ao Centro do Átomo, Trevor Day e Nicholas Harris, Verbo, 1997 e A Incrível Viagem aos Confins do Universo, idem. 
Dois livros num só, numa apresentação não convencional, aproveitando a relação entre o muito pequeno e o muito grande.

O Meu Primeiro Livro de Baterias, Pilhas e Ímanes: um Guia para as Tuas Investigações, Helen Drew, Civilização, col. "O Meu Primeiro Livro", 1993, dos 6 aos 12 anos. 
Uma obra ilustrada de grande formato, repleta de actividades fáceis e seguras sobre electricidade, e destinada especialmente aos mais novos (é mais um original da Dorling Kindersley). Na mesma colecção, ver também “O Meu Primeiro Livro de Ciências: Um Guia de Experiências Simples”, de Angela Wilkes, e “O Meu Primeiro Livro de Música”, de Helen Drew. Baseado no primeiro existe um vídeo da Dorling traduzido em português e editado pela Costa do Castelo Filmes.

O Tempo e o Espaço do Tio Alberto, Russell Stannard, Edições 70, 1991, a partir dos 12 anos.
 Na mesma série, “Os Buracos Negros e o Tio Alberto”, “O Tio Alberto e o Mundo dos Quanta”, “O Mundo dos 1001 Mistérios”, “Eu Sou Quem sou Samuel”, “Perguntem ao Tio Alberto”, livros juvenis de um físico inglês premiado que se especializou na divulgação científica da relatividade. Posfácio de António Nunes dos Santos e Christopher Auretta, da Universidade Nova de Lisboa.

Vai Cair?, David Evans e Claudette Williams, Verbo, colecção "À Descoberta da Ciência", 1993, dos 6 aos 12 anos.
 Experiências sobre equilíbrio, algumas delas usando o próprio corpo, de um original da Dorling Kindersley destinado aos mais pequenos e escrito por conceituados pedagogos. Na mesma série: “Vai Mudar?”, “O Meu Corpo”, etc.

Ciências da Terra

Ciências da Terra para Jovens: 101 Experiências Fáceis de Realizar, Janice VanCleave, colecção "Ciência para Jovens", Dom Quixote, 1993, a partir dos 12 anos.
 VanCleave, educadora norte-americana laureada, é autora de uma série de ciência para jovens que inclui a astronomia, a física, a biologia, etc: “Corpo Humano para Jovens: Actividades Simples que Tornam a Aprendizagem da Ciência Divertida”, “Geografia para Jovens”, “Geometria para Jovens: Actividades Simples que Tornam Divertida a Aprendizagem da Geometria”, “Astronomia para Jovens: 101 Experiências Fáceis de Realizar”, “Matemática para Jovens: Exercícios Fáceis que Tornam a Aprendizagem da Matemática Divertida”, “Física para Jovens: 101 Experiências Fáceis de Realizar (Movimento, Calor, Luz, Máquinas e Som)”, “Biologia para Jovens”, “Ecologia para Jovens: Actividades Simples que Tornam a Aprendizagem da Ciência Divertida”, “Dinossauros para Jovens: Actividades Simples que Tornam a Aprendizagem da Ciência Divertida”, “Química para Jovens: 101 Experiências Fáceis que Resultam” e “Oceanos para Jovens”. Tratam-se de recolhas de actividades úteis e motivadoras. A qualidade de algumas traduções portuguesas foi assegurada pela revisão de Nunes dos Santos, professor de História das Ciências na Universidade Nova de Lisboa. O aspecto gráfico do original é pobre. Alguns destes livros estão a ser reeditados pela editora.

Ciências da Vida e Medicina Como Funcionam as Células, Norbert Landa e Patrick Baeuerle, Círculo de Leitores, colecção "A Fantástica Aventura", 1998, a partir dos 14 anos. 
Na mesma série: “Heróis e Bandidos no Nosso Corpo”, “Qual é o Sexo do Bébé?” e “A Genética é Genial!”. De um bioquímico e de um escritor de obras didácticas, uma boa introdução à biologia celular.

Como Funciona a Natureza, David Burnie, Selecções do Reader’s Digest, sem data, a partir dos 9 anos.
 Livro sobre ciências da vida com primorosa apresentação gráfica (como todos os livros da Dorling) e ênfase em actividades experimentais. Ganhou o "Science Book Prize", prémio britânico para o melhor livro juvenil de ciência em 1992. As experiências aparecem claramente descritas, permitindo a realização de trabalhos individuais ou de grupo. A edição portuguesa é cuidada, havendo preocupação com a qualidade da tradução. Também saíram nas Selecções “Como Funciona a Ciência” e “Como Funciona a Terra”, com aspecto semelhante. Todas estas obras deveriam existir em todas as nossas escolas. Burnie é outro dos escritores para crianças bastante produtivo. Tem ainda “Aves”, “Vida”, “A Luz”, “Árvores”, “Flores”, “Plantas” (Verbo), “Como Funcionam as Máquinas” (Pública), “Os Insectos” (Caminho), “Dicionário Escolar do Corpo Humano” (Círculo de Leitores), etc.

O Corpo Humano: Uma Visão Espantosa de como Somos por Dentro!, Steve Parker, Caminho, 1997, a partir dos 14 anos.
 Cortes espectaculares do corpo humano, num livro de texto sólido, revisto por um médico, e com boa apresentação.

Evolução, Linda Gamlin, colecção "Visual Ciência", Verbo, 1993, a partir dos 8 anos. 
Sexto volume da colecção "Visual Ciência" traduzida da colecção "Eyewitness Science", também com a marca inconfundível da Dorling Kindersley. As ilustrações, ocupando mais espaço do que o texto, oferecem uma informação visual riquíssima. A colecção distingue-se facilmente pelas suas capas prateadas, que fazem lembrar espelhos. O presente volume mereceu o "Science Book Prize" britânico em 1994. A mesma colecção inclui ainda, entre outros: “Força e Movimento”, “Electricidade” e “A Luz”.

Guia do Jovem Consumidor Ecológico, John Elkington e Julia Hailes, Gradiva, colecção "Gradiva Júnior", 1992, dos 8 aos 15 anos.
 Um livro informativo e atraente que ensina os princípios práticos da ecologia aos mais jovens. Está adaptado à realidade portuguesa, contendo endereços úteis para quem pretenda mais informação. Em co-autoria Elkington tem ainda “Os Capitalistas Verdes” (Círculo de Leitores).

O Livro dos Dinossáurios do Museu de História Natural de Londres, Tim Gardom e Angela Milner, Caminho, 1993, a partir dos 14 anos.
 Edição cuidada e bem traduzida (a qualidade é assegurada por Galopim de Carvalho, ex-director do Museu Nacional de História Natural e responsável pelo grande êxito das exposições de dinossauros). Destina-se aos jovens mais velhos, podendo ser lido com proveito por adultos. Fornece informação detalhada a quantos se interessam pelos simpáticos bichos, que têm estado em moda.

O Livro da Família dos Chimpanzés, Jane Goodall, Desabrochar, 1991, dos 8 aos 14 anos. 
Livro da famosa zoóloga especialista em macacos. O livro recebeu o Primeiro Prémio Internacional de Livros para Crianças, da UNICEF, em 1989. As fotografias são notáveis. Existe em português um vídeo sobre Jane Goodall e os simpáticos primatas, com a chancela da "National Geographic".

A Magia dos Alimentos: Factos e Actividades para Descobrires Tudo sobre a Alimentação, Gradiva, colecção "Gradiva Júnior", 1994, dos 10 aos 16 anos.
 Conjunto de actividades, jogos e factos curiosos sobre os alimentos, tudo acompanhado de bastantes figuras, validado pela chancela do Centro de Ciência de Ontário, Canadá. Constitui um bom guia da alimentação. Na mesma editora e no mesmo género encontram-se: de Deborah Seed, “O Maravilhoso Livro da Água”, contendo tudo aquilo que um adolescente pode saber sobre a água, e de Carol Gold, “Viagem pela Ciência, Um Livro de Experiências”, descrevendo uma interessantíssima série de experiências simples (Gold recebeu um prémio de divulgação científica em 1993 do Royal Canadian Institute).

Um Quadradinho no Quintal, Donald Silver, Gradiva, colecção "Quadradinho", 1994, dos 10 aos 15 anos.
 Tradução de um livro da nova série infantil da Freeman, a editora dos livros da "Scientific American". O lançamento desta obra de grande qualidade passou infelizmente despercebido. Livro rigoroso, cuja ideia básica consiste em descobrir os pormenores fascinantes de um pequeno quadrado de terra no quintal. A atenção pelos pormenores é precisamente um dos princípios da ciência...  

Que é Ser Inteligente? Albert Jacquard, Terramar, colecção "Quês e Porquês", 1991, a partir dos 12 anos. 
Do famoso biólogo francês especialista em genética, um livrinho bem inteligente e humorado. Até os adultos gostam... Jacquard tem para crianças “O Meu Primeiro Livro de Genética” (Dom Quixote) e “Donde Venho?” (Terramar) e para adultos “A Herança da Liberdade: Da Animalidade à Humanidade” (Dom Quixote), “Elogio da Diferença: a Genética e os Homens”, “Acuso a Economia Triunfante”, “Ensaio sobre a Pobreza: A Herança de Francisco de Assis” (Europa-América), “O Homem e os seus Genes”, “A Explosão Demográfica” (Instituto Piaget), “Inventar o Homem”, “Pequeno Manual de Filosofia para Uso dos Não-Filósofos” (Terramar) e “Matéria e Vida” (Texto). Em co-autoria com Abbé Pierre tem” O Absoluto: Diálogo Moderado por Hélène Amblard” (Notícias).

A Vida nas Grutas, Christiane Gunzi, Círculo de Leitores, colecção "Ver de Perto", sem data, a partir dos 8 anos.
 Um livro de história natural da Dorling Kindersley com fotografias de Frank Greenaway do Natural History Museum de Londres. Na mesma colecção: “A Vida nas Árvores”, “A Vida no Litoral” e “A Vida nas Florestas das Chuvas”. Gunzi participou em “A Minha Primeira Enciclopédia Verbo” (Verbo).

As Zebras são Pretas e Brancas Porquê, Terry Martin, Civilização, colecção "Porquê?", 1996, dos 6 aos 10 anos. 
Livro de perguntas e respostas da Dorling Kindersley para os mais pequenos. Na mesma série: “Os Girassóis Voltam-se para o Sol Porquê?”, “As Pessoas Riem-se Porquê?”, “Quando Troveja há Relâmpagos Porquê?”. De Martin há na Verbo em co-autoria “Ver por Dentro as Casas”.

Tecnologia

53 1/2 Coisas que Mudaram o Mundo e Algumas que não Mudaram! David West e Steve Parker, Caminho, 1994, a partir dos 10 anos.
 Relato simples, divertido e ilustrado de algumas invenções muito famosas e outras que nem tanto... Entre as primeiras, encontram-se a luz eléctrica e o foguetão. Entre as segundas estão a pastilha elástica e a mini-saia.

A Grande Aventura das Ciências: Imagens das Ciências e das Técnicas, Jean-François Gautier, Terramar, 1993, a partir dos 12 anos.
Uma história das ciências e das tecnologias, que consiste na apresentação ilustrada de episódios significativos.

A Grande Aventura da Reciclagem: Um Olhar Curioso Sobre Coisas Velhas Feitas Novas Jan McHarry, Bertrand, 1995, a partir dos 8 anos.
Livro cujo original é da editora Marschall, com um “design” interessante que envolve partes móveis.

As Grandes Invenções, Lionel Bender, Verbo, colecção "Enciclopédia Visual", 1992, a partir dos 8 anos.
Realizado em colaboração com o famoso Museu de Ciência de Londres. Na mesma espectacular colecção existem mais de duas dezenas de títulos, incluindo “Dinossauros”, “O Tempo”, “Máquinas Voadoras”, etc. Alguns, como “Dinossauros”, têm versões em vídeo traduzidas em português (pela Costa do Castelo Filmes). Não se deve confundir a "Enciclopédia Visual" com os "Dicionários Visuais", também da Verbo, que têm maior formato, apesar de por vezes tratarem os mesmos temas. Bender tem ainda, na Edinter, “Átomos e Células” e “O Corpo Humano”.

Os Grandes Inventores da História, Philip Ardach, Estampa, 1995, a partir dos 8 anos.
De Arquimedes a Thomas Edison, uma história da tecnologia ilustrada por deliciosos "cartoons".

A Luz Que Tira Retratos: O Segredo da Fotografia, Amedeo Gigli, colecção "Fazer para Aprender", Caminho, 1983, a partir dos 12 anos.
A colecção "Fazer Para Aprender" infelizmente está esgotada (pode, porém, apanhar-se em feiras do livro de ocasião). Os livros desta série são bons instrumentos para actividades escolares ou domésticas. O presente volume é uma introdução prática à fotografia. Na mesma colecção e do mesmo autor italiano, existem também: “O Que as Estrelas Contam”, “Observemos o Universo” e “Dínamo e Motor Eléctrico”, etc. Do mesmo autor na SEL há “Descoberta do Homem: O Corpo Humano, Máquina Maravilhosa”.

As Máquinas, Wendy Baker e Andrew Haslam, Livros do Brasil, colecção "Experimenta!", 1992, dos 8 aos 14 anos.
"Experimenta!" é uma boa colecção de iniciação prática às actividades científicas, cujo título não podia ser mais sugestivo. Engloba uma série de livros que, mais do que para serem lidos, são para serem postos em prática, podendo servir de guia a experiências em casa ou na escola. O presente volume oferece uma boa iniciação para futuros engenheiros. A mesma colecção inclui ainda dos mesmos autores “O Som”, “As Plantas”, “A Electricidade”, “Os Insectos” e “A Terra”.

Que Acontece Quando... Ligas a TV? Acendes uma Luz? Envias uma Carta? E Muito Mais!, John Farndon, Civilização, 1997, a partir dos 8 anos.
Ideias e ilustrações espectaculares para descobrir o que se passa por trás dos acontecimentos do dia-a-dia. Um livro que mostra a tecnologia por detrás do nosso dia-a-dia. De Farndon há ainda “O Tempo” e “O Livro de Perguntas & Respostas” (Verbo).

Que Há Debaixo do Chão? Susan Mayes, Impala, colecção "Descobrir a Ciência Brincando", sem data, dos 6 anos 12 anos.
Na mesma série: “Porque é Escura a Noite?”, “Que Faz Crescer as Flores?” e “De onde Vem a Electricidade?”. Livros um pouco clássicos mas muito baratos da editora popular inglesa Usborne.

Thomas Alva Edison: Como um dos Maiores Inventores de Sempre Dominou a Electricidade para Uso Doméstico, Anna Sproule, Replicação, 1990, a partir dos 12 anos.
 Uma biografia cuidada, tanto a nível do texto como das imagens, de um dos maiores inventores de sempre. Nesta mesma colecção e da mesma autora aparecem biografias interessantes de outros grandes cientistas e inventores, como Albert Einstein, Charles Darwin, Thomas A. Edison, Os Irmãos Wright e James Watt.

Vária

O Livro Fantástico das Comparações Incríveis, Russell Ash, Civilização, 1996, a partir dos 10 anos.
Livro de formato grande, da Dorling, com comparações surpreendentes, a maioria bastante instrutivas.

Respostas às Perguntas que Sempre Quiseste Fazer, David West, Porto Editora, 1993, a partir dos 8 anos.

Livro de perguntas e, claro, respostas... para a idade dos porquês.