Apêndice II - A recepção da Internet em Portugal

O uso da Internet em Portugal está ainda reservado a um grupo reduzido embora não desprezável de pessoas, que se sentiram motivadas para tal por razões profissionais ou pelo simples fascínio pela informática e pelos intercâmbios que ela permite. Para esta "élite" o uso da Internet tem vantagens óbvias. Existe, no entanto, uma parte da população, bastante mais numerosa do que a anterior, que só tem conhecimento da Internet e dos seus avanços através dos órgãos de comunicação social. O espaço de divulgação nos media tem sido extremamente proveitoso. Os jornais portugueses, nomeadamente o Público (suplemento "Computadores") e Expresso (suplemento "Século XXI") têm acompanhado bastante bem os desenvolvimentos da Internet em Portugal, à semelhança de jornais e revistas internacionais (New York Times, Time, Newsweek, nos EUA, por exemplo). Neste apêndice faz-se referência a alguns artigos que apareceram em jornais e revistas de informação geral, que abordam as vantagens do uso da Internet e, mais em particular, as suas implicações nos processos de ensino/aprendizagem. Com esta análise breve pretendemos obter respostas para as seguintes questões: Que noção de Internet é dada ao leitor comum? Até que ponto existirá uma sensibilização da opinião pública para as potencialidades da Internet, em particular no ensino? Que significado poderá ter para os portugueses, em particular os professores, a decisão do Ministério da Ciência e Tecnologia de que irá dotar todas as escolas do ensino básico e secundário de ligações à Internet já em Maio de 1997?

Por outro lado, Sá Couto manifesta a sua satisfação com a intenção do Ministério da Ciência e Tecnologia de dotar todas as escolas do ensino básico e secundário com computadores multimédia directamente ligados à Internet. Esta medida irá aumentar o número de utilizadores e diminuir as desigualdades de oportunidades entre jovens de classes sociais diferentes. "Parece-me a iniciativa mais importante que este governo divulgou desde que tomou posse e o seu impacte na população estudantil, pela quantidade de informação que torna acessível e pela possibilidade de interacção com outros estudantes em qualquer parte do globo, só pode conduzir a uma verdadeira revolução cultural".

Daquilo que fui lendo nos órgãos de comunicação social, de que estes artigos são apenas uma pequena amostra, e das conversas que tenho tido com colegas, fiquei com a impressão que para a maioria das pessoas a ideia de Internet é ainda muita vaga. Esta tecnologia é por vezes vista apenas como um entretenimento, um "hobby", para aqueles que gostam de computadores.

Penso que é uma ilusão pensar-se em utilizar a Internet nas escolas sem haver uma certa mobilização da opinião pública. Lembro-me que quando foi divulgada a decisão do Ministério da Ciência e Tecnologia para ter computadores ligados à Internet em todas as escolas até Maio de 1997 gerou-se uma discussão entre professores na escola onde me encontrava a leccionar. A maioria dos professores era contra a medida apresentada, sendo a principal razão para essa discordância a falta real de outros materiais de ensino. Compreende-se que num país como o nosso, onde há lacunas de vária ordem, surjam resistências e desconfianças aos meios novos. A acção do projecto MINERVA, do Ministério da Educação, não foi suficiente para as dissipar. Mas a verdade é que não podemos ficar alheios à evolução tecnológica, e aos bons resultados que a utilização destas novas tecnologias têm trazido à educação em todo o mundo e que tem sido amplamente documentada nos media. Da acção "Internet nas Escolas" do Ministério da Ciência e Tecnologia, para fornecimento de hardware e software básico, e do programa "Nónio" do Ministério da Educação, para apoio à integração das tecnologias de informação e comunicação nas escolas, esperam-se os melhores resultados.

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