Capítulo 4 - Conclusões

"Students have taken virtual fields trips to Central American rain forests and Antarctica, participated in global grocery price comparisons with classrooms all over the world, accessed the latest NASA Hubble Telescope images for units on space, and developed Web pages for local comunities. These are just a few examples of how electronic networks are changing the way we teach and the learn in schools" [30]. Infelizmente estas palavras de James Levin não são sobre o ensino em Portugal. Estamos ainda longe do dia em que os professores nacionais possam afirmar que as redes de computadores mudaram a sua forma de ensinar.

Os sinais positivos, que nos chegam de outros países, acerca das vantagens das redes de computadores não ficam pelas frases do início do capítulo 3. Alguns estudos revelam vantagens pedagógicas quando se utiliza este tipo de ensino. Uma pesquisa realizada por Cohen e Riel [11] sobre a forma como os alunos escrevem chegou à conclusão que os alunos são mais cuidadosos com a escrita quando se dirigem a uma audiência distante do que quando têm de entregar um trabalho ao seu professor. Num outro estudo realizado por Yvonne Marie Andres [3], acerca da troca de correspondência entre alunos, refere-se: "From the first exchange of letters, it became quite clear that students were highly motivated to write when they knew other students would be reading their letters. The students wrote letters that were on the average 1 ½ to 2 times longer than previously when the assignment had been just to write a friendly letter for the teacher". Este "efeito da audiência" nas interacções escritas entre alunos, através das redes de computadores, é referido por vários autores como um factor importante de aprendizagem em todas as áreas de ensino. Regressou-se, depois da era da rádio e da televisão, ao uso da palavra escrita.

As redes de computadores permitiram também, novas formas de ensino, aprendizagem e colaboração [8]. Estas redes são utilizadas, por exemplo, para criar comunidades de professores, de cientistas, etc. [25]. Estas comunidades podem englobar professores e alunos de todo o mundo, que participam em projectos comuns de ensino/aprendizagem. Por exemplo, alguns alunos têm trabalhado em comunidades para analisar e prever o tempo, determinar o perímetro da Terra, analisar problemas originados pela falta de água e descobrir novas soluções para problemas locais [25]. Os alunos são levados a pensar em problemas de interesse global, estabelecendo ligações com alunos de todo o mundo e aprendendo as similitudes e diferenças entre culturas. Por exemplo, um professor de Geografia, das Ilhas Virgens, anunciou na Internet um projecto que estava a desenvolver com os seus alunos sobre o estudo da Geografia e culturas regionais [40], e pediu colaboração a quem estivesse interessado em participar no projecto. Em duas semanas recebeu cerca de quarenta respostas. Da África do Sul, Austrália, Espanha, Estónia, Estados Unidos, Inglaterra, etc., recebeu manifestações de vontade em trabalhar com ele. O professor refere que os alunos não só atingiram os objectivos iniciais, relacionados com a sua disciplina, como foram muito mais longe. A qualidade da escrita e da gramática dos seus alunos melhorou à medida que se correspondiam com alunos para quem o inglês era a segunda língua.

Em alguns artigos são referidas as modificações que se notaram em alunos mais desmotivados. Como refere Yvonne Marie Andres [5]: "After five minutes of conversing with a NASA scientist named Simon, Victorio (a student that had been very unsuccessful in school) jumped up and shouted: "This is my dream come true. I wish my science teacher could explain things the way Simon does!"".

Com este tipo de trabalhos nota-se também uma mudança na relação existente entre a escola e a sociedade. A escola passa a ter um papel mais interveniente na vizinhança, contribuindo em alguns casos para resolver problemas locais. Por exemplo, um caso referido no artigo de James Levin e Cathy Thurston [30]: "Students in California found that drip irrigation was used in Israel but not in their own location. This served as the basis for a recommendation to use this technique in their California location".

Há vantagens no aproveitamento dos alunos. Ainda recentemente se podia ler num grupo de discussão da Internet, e sob o título Virtual Learning Superior to Traditional Instructional: "A study produced by Jerald Schutte, an applied statistics professor at the California State University at Northridge, claims that students learning in a virtual classroom (using text posted online, e-mail, newsgroups, chat, and electronic homework assignments) tested 20% better than their students who learned the material in a traditional classroom" (News.Com, 17/Jan/97). Num outro grupo de discussão, e sob o título Grade Reporting at the Turn of the Century, fazia-se referência a um outro tipo de vantagens, estas de carácter administrativo: "The University of Utah has discontinued using the U.S. mail to send students their grade reports, and will instead distribute grade information exclusively by the World Wide Web or by telephone request. The university will save $10,000 a month. Grades can only be obtained with a confidential identification number" (17/Jan/96).

Parece-nos que vantagens como as apontadas são mais do que suficientes para que se generalize o uso da Internet nas escolas do nosso país. É necessário, como já foi dito, derrubar algumas barreiras. Algumas delas, nomeadamente a falta de infra-estruturas e a falta de conhecimentos dos professores sobre estas matérias, serão difíceis mas não impossíveis de transpor. A segunda falta será provavelmente mais impeditiva do que a primeira.

Os professores poderão usar os comentários e estudos aqui referenciados para decidirem usar a Internet nas suas escolas, e orientarem os seus esforços e os dos seus alunos de forma a desenvolverem projectos que concretizem mudanças concretas da escola.

Com o READ Ciências tentámos ajudar tanto professores como alunos na procura de informação sobre a educação científica, sugerindo-lhes livros, software, vídeos, actividades experimentais e páginas da Internet de forma a tornar mais aliciante o estudo. Temos por objectivo no futuro não só continuar a enriquecer a base de dados existente sobre Física e Química, mas também alargá-la progressivamente a outras áreas científicas.

Essa página é, acima de tudo, uma fonte de ideias e um incentivo para professores e alunos construírem as suas próprias páginas na Internet. Esperamos que centenas de páginas, elaboradas nas nossas escolas, surjam pelo país. Como afirma o deputado José Magalhães [31]: "Não se trata só de beneficiar do muito que há na Internet. Importa pô-la a falar português e a servir de instrumento para objectivos tão relevantes como a informação dos cidadãos, a educação dos jovens para o século XXI ou o estreitamento de laços entre os povos da Comunidade Lusófona". No que diz respeito à educação para o século XXI, os jovens concerteza agradecem.

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