2.3 Utilização
da Internet na educação científica
Num artigo recente da Newsweek, [52], David
Voss escreveu: "The biggest contribution that physics
has made to the world in recent years hasn´t been a new particle
or a higher temperature superconductor, but rather a way of communicating
over computer networks - the World Wide Web". Quais são
as reais vantagens deste novo meio de comunicação
na educação científica? O que pode um "internauta"
que se interessa pelo ensino/aprendizagem das ciências encontrar
na World Wide Web uma vez ligado à Internet
e munido de um browser? Mais do que aquilo que esperava
encontrar antes de estar ligado, com toda a certeza.
Onde estavam disponíveis as primeiras imagens
do embate do cometa Schoemaker-Levy em Júpiter? Na Internet.
Onde podemos encontrar as mais recentes informações
sobre a viagem da sonda Galileu a Júpiter? Na Internet.
Como podemos ter acesso às mais recentes investigações,
a nível mundial, no domínio da educação?
A resposta é mais uma vez: utilizando a Internet.
Poderiam ser citados muitos outros exemplos tanto
de rapidez de distribuição como de manancial de
informação disponível. Nesta rede de milhões
de utilizadores é possível encontrar um pouco de
tudo e, por vezes, tudo sobre um pouco [34].
Nas milhares de páginas dedicadas às
ciências, grande parte delas com relevância para o
ensino, é possível encontrar uma grande variedade
enorme de informação (uma recente procura na Yahoo,
base de dados de URLs, usando a palavra "physics", forneceu
mais de 6700 endereços). Algumas das páginas disponíveis
são elaboradas em universidades, institutos, sociedades,
laboratórios, museus e exploratórios, mas muitas
outras são da autoria de simples amantes da ciência.
As vantagens de acesso à Internet por quem queira
aprender ciências são óbvias [43]. A visualização
de imagens e respectivas explicações de uma exposição
no Exploratório de S. Francisco é bastante fácil.
Saber o tipo de estudos educacionais que se fazem de momento em
qualquer universidade está à "distância"
de um clicar do rato. Ficar por dentro dos assuntos abordados
na última edição da Scientific American
é uma questão de segundos. O acesso às últimas
fotografias tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble é
quase imediato. Estes são apenas alguns exemplos extraídos
da imensidão de informação existente. O professor
pode escolher de entre tal oferta aquilo que melhor se adequa
a si e aos seus alunos.
Com a possibilidade de acesso a este tipo de informação
o ensino poderá tornar-se mais actual, mais rigoroso e
mais motivador. Mais actual porque o professor pode usar informação
ainda não disponível em qualquer outro tipo de órgão
de comunicação. Mais rigoroso pois existirá
um suporte científico providenciado por pessoas e instituições
credíveis. Por exemplo, uma discussão na aula sobre
a descoberta, e suas implicações, de um novo supercondutor
a altas temperaturas, referida no telejornal do dia anterior,
será mais verídica e aliciante tendo por trás
um suporte científico fornecido pelos autores da descoberta.
Por último, os alunos estarão mais motivados para
um ensino onde se apercebem das aplicações daquilo
que estudam e onde se abordam os problemas e questões que
porventura mais os intrigam. E todos, professores e alunos, estarão
mais motivados para um ensino onde se faz uso de tecnologias modernas
e se concretizam experiências inovadoras de comunicação.
A possibilidade de se poderem trocar ideias e experiências
educativas com colegas, de qualquer parte do mundo, é já
hoje uma realidade para muitos professores. Essa troca de ideias
pode ser feita quer por correio electrónico quer conversando
quase em tempo quase real. Existem páginas dedicadas a
determinados assuntos: educação, política,
arte, desporto, cinema, etc., onde "internautas" de
todo o mundo se encontram para dialogar sobre os seus interesses.
"Internautas" com os mesmos interesses formam os seus
próprios "bairros" na Internet, onde apresentam
as suas preferências (um exemplo interessante é a
página da Geocities
onde os "internautas" podem dispor de espaço
como produtores de informação, estando essa informação
agrupada por "bairros" e "ruas").
Com as escolas ligadas à Internet,
os vários grupos disciplinares podem tornar-se fontes de
informação, disponível tanto dentro da escola
como no exterior. A possibilidade de informar os colegas noutras
escolas das actividades lectivas e extra-lectivas, partilhar vivências
escolares, resolver as dificuldades encontradas com determinado
manual, disponibilizar recursos educativos (incluindo fichas de
trabalho e testes), fazer sugestões sobre o modo de abordar
um dado assunto, indicar a experiência laboratorial que
deve ser utilizada em determinado contexto são algumas
das aplicações. A Internet atinge assim um
dos seus objectivos primordiais que é unir aquilo que está
separado geograficamente, e proporcionar condições
para realizar trabalhos comuns.
Os alunos, por seu lado, têm acesso a uma tecnologia
que não exige grandes conhecimentos de informática
e que se pode revelar cativante mesmo para alunos pouco motivados
[5]. Podem criar as suas próprias páginas pessoais
[49], preparar documentos que podem ser usados na sala de aula ou
no laboratório, como por exemplo uma base de dados sobre
substâncias químicas contendo imagens, textos e sons.
Para muitas aplicações, a escola não precisa
sequer de estar ligada à rede, sendo apenas necessário
um computador, um browser, e um conjunto de documentos
disponíveis para uso interno (no laboratório, na
sala de aula, nos clubes de ciência, nas bibliotecas, etc.).
Penso que actividades escolares deste tipo são
facilmente aceites por professores e alunos, a começar
por aqueles com maior simpatia pelas tecnologias informáticas.
Será mais um passo para uma escola mais moderna e mais
agradável para os seus habitantes. Mas é evidente
que tal objectivo pressupõe algum investimento por parte
de todos. Sem esforço, nada se consegue, nesta área
como em qualquer outra.
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