RECENSÃO DO LIVRO "O Meu Primeiro Livro de Astronomia"


Um novo Zodíaco

ACABA de ser publicada em Portugal a tradução do livro "The Night Sky Book", a que foi dado o título português "O Meu Primeiro Livro de Astronomia". Embora a editora Gradiva o tenha incluído na sua colecção Gradiva Júnior, ele contém muitos e diversos pormenores que deliciarão "miúdos e graúdos", sendo muito provável a existência de algumas situações que poderão deixar o leitor intrigado. É verdade que a descrição do método utilizado pelos povos polinésios para se orientarem entre as ilhas " que constituíam um triângulo gigante" não é feita de forma muito clara, mas é quase certo que alguns leitores se sentirão tentados a construir uma "cabeça mágica", um instrumento de navegação pelas estrelas, baseado numa cabaça seca, depois de convenientemente trabalhada com uma navalha.

São também incluídos quatro mapas, juntamente com algumas sugestões para identificar constelações. Os mapas não fornecem grandes detalhes quanto à sua colocação relativamente ao observador, indicando-se apenas aos pontos cardeais e é de crer que o autor se terá divertido a imaginar as contorções que os leitores teriam que fazer para, perante o céu nocturno, tentar alinhar cada um dos mapas com o céu observável.

No entanto, talvez o pormenor que mais chamará a atenção - e que se poderá interpretar como uma provocação do autor - está relacionado com a figura aqui representada, onde as datas dos símbolos do Zodíaco não são as que vulgarmente aparecem nos horóscopos. De facto, a figura representa as datas dos "verdadeiros signos" do Zodíaco.

Trata-se da proposta de uma nova astrologia? Não. A figura apenas indica as constelações que o Sol realmente atravessa nas diversas épocas do ano, no seu movimento aparente relativamente às outras estrelas.

De facto, as datas que a astrologia tornou conhecidas correspondiam à verdade há cerca de três mil anos, mas o movimento da Terra (pouco conhecido por ser muito lento) produziu uma progressiva alteração das posições da esfera celeste em que o Sol passa numa qualquer data que se tome como referência - mais um argumento que prova como os mitos da astrologia têm mais a ver com os mistérios da psicologia que com o poder dos astros.

Para além de "um signo" de diferença, notaremos também que as datas indicadas para a transição de uma constelação para outra coincidem com as habituais indicações astrológicas. Na realidade, os astrónomos dividiram o céu em regiões definidas por segmentos de recta perpendiculares entre si, estabelecendo assim os limites de cada constelação e possibilitando a determinação exacta da "entrada" do Sol em cada uma delas. Daí a razão de tal momento se expressar por horas, minutos e segundo de certa data, acontecendo quase sempre que, em certo dia, o Sol "ocupa" duas constelações.

MÁXIMO FERREIRA