"Softciências" é o nome de uma Acção Comum das Sociedades Portuguesas de Física, Química e Matemática para produção e difusão de software para o ensino, aprendizagem e divulgação das ciências básicas. Essa acção pluridisciplinar foi apoiada pelo Ministério da Educação e, nos últimos tempos, pelo novo Ministério da Ciência e Tecnologia. A Sociedade Portuguesa de Física tem sido a gestora da acção.

A Acção Comum, iniciada em 1991, produziu cerca de duas dezenas de programas de Física, Química e Matemática, que foram individualmente e à medida que iam sendo terminados distribuídos na comunidade escolar portuguesa.

Omniciência 98

Recentemente produziu e ofereceu a todas as escolas de Portugal, públicas e privadas, com ensino a partir do 8º ano de escolaridade, o CD-ROM "OMNICIÊNCIA 98", um projecto que beneficiou de apoio específico do Ministério da Ciência e Tecnologia. Trata-se de uma recolha de todos os programas de computador que a acção editou até hoje assim como de algumas páginas "World Wide Web" (WWW) da Internet relativas ao ensino das ciências, que assim são acessíveis localmente sem custos de comunicação. O "OMNICIÊNCIA 98" actualiza e substitui um disco similar intitulado "OMNICIÊNCIA 97", distribuído em 1997.

O ensino das ciências coloca desafios cada vez mais prementes por todo o mundo, na Europa assim como na América Latina. Tem de se ensinar ciências a cada vez mais gente, e de modos que cada vez mais se adequem aos fins em vista: não apenas o ensino preliminar de ciências a futuros profissionais que necessitam das bases conceptuais para assentar conhecimentos mais avançados, mas também e sobretudo o ensino de ciências a quem no futuro não vai utilizar directamente esses ensinamentos, mas sim integrá-los na sua visão geral do mundo e da sociedade. Por outro lado, estão hoje disponíveis meios que há pouco tempo nem sequer imaginávamos. E a utilização das chamadas novas tecnologias para fazer face a alguns dos problemas no ensino das ciências básicas (por exemplo, desmotivação, concepções erradas, etc.) começa hoje a ser corrente e a dar alguns resultados. Só do cruzamento de diferentes perspectivas e do apuramento dos diferentes resultados se podem esperar novos avanços. A comunicação de ideias, materiais e experiências afigura-se-nos, por isso, bastante oportuna para enfrentar questões e realidades que, embora separadas pelo Atlântico, não são afinal muito distintas, uma vez que os conteúdos das ciências básicas são universais.

A acção comum "Softciências" tem uma vocação de serviço à comunidade dos professores e estudantes de ciências (Física e Química foram contempladas em maior grau que a Matemática). Se de início a nossa preocupação foi o sistema de ensino português, tendo nós estado sempre que possível em sintonia com a última revisão curricular de ciências nos ensinos básico e secundário, podemos hoje dizer que esse serviço pode também ser útil à generalidade dos países e públicos de língua portuguesa. Além do mais, praticamente todos os nossos trabalhos se encontram disponíveis na rede Internet e podem ser visionados e capturados livremente em qualquer lado do mundo. Atendendo à evolução da Internet e obedecendo aos objectivos essenciais do nosso próprio projecto (não só criação de materiais mas a sua difusão!) estamos progressivamente a abandonar a distribuição de recursos de modo "off-line", em formato de disquete, e a privilegiar os canais telemáticos. Acontece que o CD-ROM é um formato compacto e relativamente económico, que complementa ou mesmo substitui com vantagem o formato "on-line" (por exemplo, quando as comunicações são lentas ou dispendiosas, embora a rede ofereça a indiscutível vantagem da possibilidade de actualização permanente). No nosso caso, procuramos combinar os benefícios do "on-line" e do "off-line". O CD-ROM "OMNICIÊNCIA 98" está parcialmente disponível neste servidor, por onde nos propomos oferecer actualizações.

Fractais

Resumindo, os programas produzidos pela Acção "Softciências" são, na sua maior parte, simulações ("Kepler" é um exemplo típico), jogos de aprendizagem ("Jogo das Coisas", por exemplo) e bases de dados ("Testas"). Pretendem, no espírito do título "Softciências", tornar as ciências "duras" mais "moles", mais fáceis de aprender, mas sem fazer concessões no rigor e no esforço. Os vários autores, do ensino superior e dos ensinos básico e secundário, têm-se dedicado desde há bastantes anos à introdução de recursos computacionais no ensino, pelo que a preocupação pela conjugação dos aspectos técnico- informáticos com os aspectos pedagógico-científicos é uma constante. Valoriza-se a interdisciplinaridade, para que a ciência não seja vista como um amontoado de disciplinas estanques. Os programas estão, em geral, em consonância com os currícula mais recentes das diversas disciplinas escolares, mas têm uma dimensão mais alargada, dirigida ao incremento do gosto pelas ciências (exemplo sintomático é o programa "Fractais").

Temos conhecimento de experiências inovadoras de utilização pontual dos nossos programas educativos nas escolas. Não podemos dizer que essa utilização é em larga escala (em larga escala o ensino é ainda bastante tradicional e reaccionário à introdução de novos meios) mas eles são referidos em jornais nacionais como, por exemplo, o "Público" e o "Expresso", em alguns manuais escolares, em revistas pedagógicas da especialidade e até nos programas oficiais (é o caso do programa "Relativo", citado nos curricula do 12º ano de Física).


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