Cério


História

O cério (como óxido) foi descoberto em 1803 simultânea e independentemente por Klaproth e por Berzelius e Hisinger. Foi baptizado de "céria" por estes dois últimos investigadores em honra ao recém descoberto asteróide Ceres, nome este aceite pela comunidade internacional da época. No entanto, 36 anos mais tarde, Mosander mostrou que o óxido isolado por aqueles cientistas era composto por pelo menos dois óxidos distintos, sendo um deles a céria e o outro a lantana, que posteriormente se veria a revelar uma mistura de lantana, praseodímia e neodímia.

O cério metálico foi isolado pela primeira vez por Mosander em 1925, ao reduzir cloreto de cério com sódio. De notar que aqui o termo "cério" deve ser encarado num sentido lato, uma vez que o material isolado por Mosander continha outras terras raras que ainda não haviam sido isoladas ou identificadas. Nos anos subsequentes, muitos outros investigadores isolaram cério metálico através de uma técnica de redução metalotérmica. No entanto, só em 1875, é que Hillebrand e Norton prepararam cério por electrólise de cloretos fundidos.

Hoje em dia estes são os dois métodos mais importantes de preparação de cério metálico. De um modo geral, a técnica metalotérmica é usada para produzir o metal com elevado grau de pureza, enquanto o método electrolitico se emprega na preparação de ligas metálicas, à base de cério, de interesse comercial.

A descoberta da transformação electrónica no cério metálico, onde alguns electrões da camada 4f são transferidos para o nível de valência, é relativamente recente. A transformação do cério, onde se dá uma variação de volume de cerca de 10%, foi observada por Bridgman em 1948, recorrendo a altas pressões, e por Trombe e Föex, que utilizaram baixas temperaturas. Estudos posteriores revelaram que apesar desta alteração de volume, o cério mantinha a sua estrutura inalterada. Zachariasen (1949) e Pauling (1950), sugeriram que a valência do cério metálico varia entre cerca de 3 e 4 quando comprimido ou arrefecido.

Actualmente a investigação, experimental e teórica, continua a dedicar-se ao estudo do cério metálico, tentando compreender o seu comportamento electrónico, nas várias modificações polimórficas.