Férmio


História

Depois da obtenção, em 1949, do berquélio e do califórnio, tornou-se evidente que a síntese de elementos de número atómico superior só poderia ser realizada por um de dois métodos: a exposição de elementos pesados a um fluxo de neutrões muito intenso, ou o bombardeamento daqueles iões relativamente pesados tais como de carbono ou nitrogénio.

Em 1952, entrou em funcionamento o Reactor de Teste de Materiais, em Idaho, que disponibilizava fluxos de neutrões mais intensos. Simultaneamente, desenvolviam-se novas técnicas de aceleração de iões pesados, em diversos laboratórios, levando a crer que a síntese de elementos mais pesados se conseguiria em breve. No entanto a primeira observação dos elementos 99 e 100 foi surpreendentemente feita numa experiência pouco relacionada com estes desenvolvimentos técnicos - a primeira explosão termonuclear, no Pacífico, em novembro de 1952.

Das amostras recolhidas dos restos da explosão, foi possível detectar novos isótopos de urânio, bem como emissores de partículas alfa com energia de 6,6 e 7,1 MeV, concluindo-se que uma breve exposição a um fluxo de neutrões muito intenso tem resultados comparáveis à demorada irradiação de elementos pesados em reactores como o de Idaho. Da análise de novas amostras recolhidas no local da explosão foi possível atribuir a origem das partículas alfa com aquela energia, aos isótopos de dois novos elementos de número atómico 99 e 100, respectivamente.

Em finais de 1953, princípios de 1954, um grupo de físicos suecos do Instituto Nobel de Física, em Estocolmo, bombardearam U 238 com iões de oxigénio 16, isolando uma fonte emissora de partículas alfa que atribuiram ao isótopo 250 do novo elemento 100. No entanto, esta descoberta não foi anunciada pelos suecos, sendo atribuída mais tarde aos físicos norte-americanos.

Toda a história da descoberta dos dois elementos só seria publicada em meados de 1955 por um conjunto de autores americanos dos diversos laboratórios envolvidos.

Ao elemento de número atómico 99, foi dado o nome Einstânio, em honra de Albert Einstein, enquanto ao elemento 100 se chamou Férmio, em honra do físico italiano Enrico Fermi.