Nobélio


História

A descoberta do elemento 102 não é uma questão resolvida uma vez que foi anunciada por três grupos de investigadores. Eles tiveram em comum o método, desenvolvido anteriormente por Ghiorso, usado para a obtenção de isótopos deste elemento, que consistia na irradiação de um alvo fino, rico em elementos de elevado número atómico, com iões pesados, fazendo-se então a captura dos átomos do elemento criado, numa película receptora. Este método apresenta diversas vantagens tais como a possibilidade de libertação imediata do alvo de átomos com meia vida muito pequena, evitando-se a intensa radioactividade aí existente, a possibilidade de irradiar repidas vezes o mesmo alvo e ainda a versatilidade da experiência, que permite a adaptação à detecção de átomos mais leves resultantes do decaimento alfa dos núcleos inicialmente obtidos.

O primeiro grupo a usar este método com relativo sucesso na obtenção do elemento 102 era composto por cientistas do Laboratório Nacional de Argonne (U.S.A.), do Instituto de Pesquisa de Energia Atómica (Inglaterra) e do Instituto Nobel de Física (Suécia). Este grupo, composto por P.R. Fields, A.M. Friedman, J. Milstred, H. Atterling, W. Forsling, L.W. Holm e B. Astrom, irradiou um alvo de Cm 244, Cm 246 e Cm 248 com iões de C 13 e obteve um isótopo com número de massa entre 251 e 255, mas que atribuiram a um elemento de número atómico 102. Este grupo propôs o nome de Nobélio para o 102 em honra a Alfred Nobel.

Cerca de um ano mais tarde, os cientistas A. Ghiorso, T. Sikkeland, J.R. Walton e Seaborg, trabalhando no Laboratório de Radiação, na Universidade da Califórnia, tentaram reproduzir a experiência do primeiro grupo com novos aceleradores lineares. Irradiando um alvo semelhante ao primeiro com iões de C 12, detectaram o isótopo 254 com uma meia vida de 3 segundos. Este grupo viria ainda a detectar o isótopo 255 preparado pela irradiação de Cf 252 com iões de boro.

Um terceiro grupo de cientistas, composto por G.N. Flerov e S.M. Polikanov, trabalhando no Instituto Dubna na ex-U.S.S.R., também conseguiu produzir isótopos do elemento 102. As suas primeiras tentativas, que consistiram na irradiação de Pu 239 e Pu 241 com iões de O 16, revelaram-se infrutíferas. Somente em 1963 conseguiram detectar No 256 pela irradiação de U 238 com iões de Ne 22, através do método descrito.

Foram testados outros métodos de produzir nobélio sem resultados satisfatórios.