Exemplo 4.1 Num vaso reactor de certa capacidade fixa, misturam-se
1,0 mole de H2(g) e 0,5 mole de I2(g), a uma
temperatura de 500 °C.
Determinar a quantidade de HI(g) no fim da reacção (equilíbrio)
2HI(g),
Representando por x o número de moles de H2 que reagem até se atingir o equilíbrio, igual é o número de moles de I2 que reage e duplo é número de moles de HI que se forma. Então, sendo V o volume do sistema em dm³, temos:
| H2 | + | I2 | 2HI | ||
| nº inicial de moles | 1,0 | 0,5 | 0 | ||
| nº de moles em equilíbrio | 1,0 - x | 0,5 - x | 2x | ||
| molaridades em equilíbrio | (1,0 - x) / V | (0,5 - x) / V | 2x / V |
O valor x é determinado a partir da constante de equilíbrio
| K = 63,3 = | |HI |e2
|H2|e |I2|e |
= | (2x/V)2
[(1,0-x)/V] [(0,5-x)/V] |
= | 4x2
(1,0-x) (0,5-x) |
Resolvendo então a equação do segundo grau, obtém-se x = 0,47 (a outra solução x = 1,13 não tem significado físico porque x não pode ser superior ao número inicial de moles de H2 ou de I2. Logo, o número de moles de HI no equilíbrio é 2 x 0,47 = 0,94.
Exemplo 4.2 O pentacloreto de fósforo dissocia-se
parcialmente segundo a equação
PCl3(g) + Cl2(g).
a) Se a pressão
parcial de PCl5 tiver diminuído de uma
quantidade x, de quanto aumentou a pressão total?
b) Calcule x e a pressão total no fim da
reacção.
a) A
pressão parcial de PCl5 no
equilíbrio é
Como, por cada mole de PCl5 que se dissocie, se forma uma de PCl3 e
outra de Cl2, as
pressões parciais destes passam de zero a x:
Então, a pressão total é
b) Da expressão da constante de equilíbrio Kp
| Kp = | |PPCl3|e
|PCl2|e
|PPCl5|e |
= 11,5 |
tem-se x2 / (2,0 - x) = 11,5, donde x = 1,7.
A pressão final será 2,0 + x = 3,7 atm.
Exemplo 4.3 Considere a reacção em fase gasosa
CO + H2O,
a) Calcular o
"quociente da reacção" quando
estão
presentes num vaso reactor, a 800 °C, 1 mole de CO2, 2 mole de H2,
0,5 mole de CO e 0,8 mole de H2O.
b) Será essa uma situação de equilíbrio?
c) Em caso negativo, em que sentido prossegue a reacção?
d) Designando por x o número adicional de moles de CO que se forma até o
equilíbrio ser atingido, calcular a composição da mistura nesse estado
de equilíbrio.
a) Aplicando a expressão do quociente da reacção, vem
| Q = | (0,5/V) (0,8/V)
[(1/V) (2/V)] |
= 0,2 |
b) Como Q
K, não há equilíbrio.
c) Como Q < K, o sistema evolui no sentido da formação de CO e H2O, até que o quociente da reacção se torne igual à constante de equilíbrio K.
d) O número de moles de CO no equilíbrio será 0,5 + x, o de H2O 0.8 + x, o de CO2 1 - x e o de H2 2 -x. As concentrações de equilíbrio obedecem à relação
| K = 0,90 = | [(0,5 + x)/V)] [(0,8 + x)/V)]
[(1 - x)/V)] [(2 - x)/V)] |
= | (0,5 + x) (0,8 + x)
(1 - x) (2 - x) |
Por resolução da equação do segundo grau, vem x = 0,35. Assim, o número de moles de CO no equilíbrio é 0,85, o de H2O é 1,15, o de CO2 0,65 e o de H2 1,65.
Exemplo 4.4 A uma determinada
temperatura, um
sistema contém,
por dm³, 0,60 mol de cloreto de carbonilo, 0,30 mol de CO e 0,10 mol de Cl2, em
equilíbrio:
COCl2(g).
| CO(g) | + | Cl2(g) | COCl2(g) | ||
| Concentrações (mol dm-3) no equil. e1 | 0,30 | 0,10 | 0,60 | ||
| Alteração de concentrações | 0,30 | 0,10 + 0,40 | 0,60 | ||
| Alteração do equilíbrio | |||||
| Concentrações (mol dm-3) no equil. e2 | 0,30 - x | 0,50 - x | 0,60 + x | ||
Resta calcular x, atendendo a que
| |COCl2|e2
|CO|e2 |Cl2|e2 |
= | |COCl2|e1
|CO|e1 |Cl2|e1 |
= Constante de equilíbrio |
Logo, 0,60 /(0,30 x 0,10) = 20 = (60 + x) / (0,30 - x)(0,50 - x).
A equação do 2º grau em x
| 20(0,30 - x)(0,50 - x) = 0,60 + x 20x2 - 17x + 2,40 = 0 |
tem duas raízes:
| x1 = 0,18 x2 = 0,67 |
mas a segunda não tem significado físico porque corresponderia a concentrações negativas dos reagentes (0,30 - 0,67 e 0,50 - 0,67) no novo estado de equilíbrio. A concentração de COCl2 neste estado de equilíbrio é, então, 0,60 + 0,18 mol dm-3 = 0,78 mol dm-3.
Note-se que a alteração da concentração do reagente Cl2, no exemplo anterior, se fez por adição de Cl2 - o sistema torna-se momentaneamente aberto - mas sem variação de volume.