Os cálculos baseados em equações químicas exigem que estas equações estejam acertadas e, portanto, têm em conta os coeficientes numéricos que precedem cada fórmula - coeficientes estequiométricos. Designam-se, geralmente, por cálculos estequiométricos. A palavra "estequiometria" vem dos termos gregos "stoichio" e "metris" que significam, respectivamente, "elemento" e "medir". Estes cálculos podem relacionar:
Por exemplo, quando, no 10º ano, procedeu à determinação
quantitativa de um ião (por exemplo, SO42-) presente numa
solução, através da reacção com outro ião para formar
um sólido -
BaSO4(s)
Quando, no mesmo ano, procedeu à determinação quantitativa de um
ácido, por reacção com uma base, em solução aquosa,
NaCl(aq) + H2O,
Na análise elemental de carbono e hidrogénio de um composto
orgânico procede-se à combustão de uma amostra do composto -
dióxido de carbono +
água
Subjacente a estes cálculos está a leitura de uma equação química em termos molares. No entanto, estas relações entre quantidades químicas podem, facilmente, converter-se em relações entre massas (conhecidas as massas molares), ou entre volumes (especialmente no caso de gases, fazendo intervir o respectivo volume molar: 22,4 dm³ a 0°C e a 1 atm, 24,5 dm³ a 25°C e a 1 atm). Num cálculo gravimétrico, estabelecem-se relações entre massas. Numa determinação volumétrica, intervêm quantidades químicas de substâncias e volumes de soluções, utilizando o conceito de concentração.
Vejamos alguns exemplos, a título de revisão esquemática de aprendizagens anteriores.
Exemplo 2.1 A combustão da glicose, tal como a sua
oxidação durante o metabolismo celular, pode ser representada pela
equação química
6CO2 + 6H2O.
A questão diz respeito a um reagente e a um produto, verificando-se, pela equação acima, que por cada mole de glicose que reaja se formam 6 moles de água. Então, considerando as massas molares respectivas, tem-se:
| C6H12O6 + ... | ... + 6H2O | |
| 1 mol | 6 mol | |
| 180 g | 6 x 18,0 g = 108 g | |
| 1,00 g | x |
x = 108 g x 1,00 g / 180 g = 0,600 g
Exemplo 2.2 Pode determinar-se quantitativamente o ião cálcio, Ca2+, presente no leite por reacção de precipitação com ião oxalato, C2O42-. A partir de 80,0 g de leite e por adição do sal solúvel oxalato de sódio, obtém-se 0,302 g de oxalato de cálcio. Calcular a percentagem do elemento cálcio no leite e comparar com o valor indicado na embalagem (105 mg/100 g).
Semelhantemente ao exemplo anterior:
CaC2O4(s):
| Ca2+(aq) + ... | CaC2O4(s) | |
| 1 mol | 1 mol | |
| 40,1 g | 128,1 g | |
| x | 0,302 g |
x = 40,1 g x 0,302 g / 128,1 g = 0,0945 g
Havendo 0,0945 g do elemento cálcio em 80,0 g de leite, a percentagem calcula-se por: 0,0945g / 80,0 g = 0,00118 , isto é, 0,118%.
O rótulo indica 105 mg de cálcio por 100 g de leite: 0,105 g / 100 g = 0,00105, isto é, 0,105%.
Exemplo 2.3 O hidrogénio pode ser obtido, no
laboratório, por reacção entre o zinco e uma solução aquosa
diluída de ácido sulfúrico:
ZnSO4(aq) + H2(g).
A questão diz respeito apenas ao reagente zinco e ao produto hidrogénio:
| Zn(s) + ... | ... + H2(g) | |
| 1 mol | 1 mol | |
| 65,34 g | 22,4 dm³ (PTN) | |
| 16,34 g | x |
x = 16,34 g x 22,4 dm³ / 65,34 g = 5,60 dm³
Exemplo 2.4 A concentração de ácido
clorídrico no estômago pode atingir 0,17 mol dm-3. Que quantidade e que
massa do "anti-ácido" hidróxido de alumínio é
necessária para neutralizar 50 cm³ dessa solução, de acordo com a
equação
AlCl3(aq) +
3H2O(l)?
A questão respeita, agora, aos dois reagentes:
| 3HCl(aq) | + | Al(OH)3(s) |
|
| 3 mol | 1 mol | 78,0 g | |
| 8,5 x 10-3 mol | x | y | |
Nota: 8,5 x 10-3 mol é a quantidade de HCl em 50 cm³ de solução 0,17 mol dm-3: 0,050 dm³ x 0,17 mol dm-3 = 8,5 x 10-3 mol.
x = 1 mol x 8,5 x 10-3 mol / 3 mol = 2,83 x 10-3 mol.
y = 2,83 x 10-3 mol x 78,0 g mol-1 = 0,221 g.
Exemplo 2.5 A titulação de uma amostra de 50,0 cm³ de vinagre - cujo ácido é o ácido acético - requer 22,5 cm³ de Na(OH)(aq) 0,680 mol dm-3. Calcular a massa de ácido acético naquela amostra.
A reacção é
NaCH3CO2(aq) + H2O(l)
| CH3CO2H(aq) | + | NaOH(aq) |
| 1 mol | 1 mol | |
| x | 0,0153 mol |
Nota: 0,0153 mol é a quantidade de NaOH em 22,5 cm³ de NaOH(aq) 0,680 mol dm-3: 0,680 mol dm-3 x 0,0225 dm³ = 0,0153 mol.
x = 0,0153 mol
A massa correspondente a 0,0153 mol de ácido (massa molar 60 g mol-1)
é: 0,0153 mol x 60 g mol-1 = 0,918 g.
Exemplo 2.6 Na titulação de 25 cm³ de uma
solução aquosa que contém Fe2+, utilizando uma
solução 0,020 mol dm-3 de dicromato de potássio, em meio
ácido, tem lugar a reacção praticamente completa
6Fe3+(aq) + 2Cr3+(aq) +
7H2O
A questão diz respeito aos dois reagentes:
| 6Fe2+(aq) | + | Cr2O72-(aq) |
| 6 mol | 1 mol | |
| x | 4,0 x 10-4 mol |
Nota: 4,0 x 10-4 mol é a quantidade em 20 cm³ de K2Cr2O7(aq) 0,020 mol dm-3: 0,020 mol dm-3 x 0,020 dm³ = 4,0 x 10-4 mol
x = 6 x 4,0 x 10-4 mol = 2,4 x 10-3 mol
Dado que esta quantidade x existe em 25 cm³ de solução, a
concentração respectiva é: 2,4 x 10-3 mol / 0,025 dm³ =
0,096 mol dm-3.
É, agora, a altura de estender estes cálculos às situações referidas atrás: presença de impurezas e considerando reagentes limitantes.
Exemplo 2.7 No laboratório, prepara-se acetileno,
C2H2, fazendo reagir carboneto de cálcio, CaC2, com
água:
Ca(OH)2(aq) +
C2H2(g).
A questão relaciona um reagente com um produto:
| CaC2(s) + ... | ... + C2H2(g) | |
| 1 mol | 1 mol | |
| 64,1 g | 22,4 dm³ (PTN) | |
| x | 6,0 dm³ (PTN) |
x = 64,1 g x 6,0 dm³ / 22,4 dm³ = 17,3 g
Tendo reagido 17,3 g de CaC2, infere-se que a massa das impurezas é 25,0 g - 17,3 g = 7,7 g, o que corresponde a uma percentagem assim calculada: 7,7 g / 25,0 g = 0,31, isto é, 31%.
Exemplo 2.8 O óxido de ferro(III) pode ser reduzido a ferro
metálico por reacção com alumínio:
2Fe(s) + Al2O3(s).
Em princípio, a questão respeita aos dois reagentes e a um produto:
2Fe(s) + ... ,
Ora, em face de:
| ... + Fe2O3(s) | 2Fe(s) + ... | |
| 1 mol | 2 mol | |
| 1 mol | 2 mol x 55,8 g mol-1 = 111,6 g | |
| 6,25 x 102 mol | x |
x = 111,6 g x 6,25 x 102 mol / 1 mol = 69,8 kg